Inclusão com arte e natureza
18/12/2019 16:34
Paula Veiga

Em festa de fim do ano do projeto A.E.I.O.U., alunos celebram a diversidade e inclusão

Arthur Piero dançou ao ritmo africano. Foto: Amanda Dutra

Dança, rap, performances e exibições de trabalhos foram algumas das atividades que marcaram a festa de encerramento do projeto Arte, Educação e Introdução com Orientação Universitária (A.E.I.O.U.), no dia 11 de dezembro. Os convidados eram recebidos na tenda da PUC-Rio por um corredor de alunos com sorrisos nos rostos, prontos para começarem uma apresentação de dança afro. O espaço aberto é propício para dinâmicas, com palco de madeira, no qual os estudantes subiam para demonstrarem o trabalho final depois de um semestre de aula no projeto.

De acordo com a Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down (FBASD), estima-se que a cada 700 nascimentos um seja portador da alteração genética, o que significa em torno 270 mil brasileiros têm Síndrome de Down. A professora Jocineia Pereira, da Coordenação de Educação Física, descreveu o A.E.I.O.U. como uma possibilidade de os alunos do projeto entrarem em contato com universitários.

- Diversidade é a gente saber que todo mundo pode, que tudo é para todos. Tanto o social, quanto o cultural são de todos. A prática é oferecida, e a vivência é para todos. Já estou na PUC desde 1994 com vivências tão ricas que eu não podia deixar de multiplicar isso com os meus alunos. 

Comida a base de alimentos vivos. Foto: Amanda Dutra

O programa é composto por seis disciplinas com propostas diversas, como as aulas de teatro e circo e as de alimentos vivos. Na dinâmica proposta pela professora Ana Branco, que leciona Biochip, o grupo preparou para a festividade um cardápio que incluía suco de luz, produzido a partir de sementes germinadas, e guacamole, servido em folhas. O Vice-Reitor Comunitário, professor Augusto Sampaio, descreveu a bebida como vida e esperança de um mundo melhor.

- Eu estou na PUC há 51 anos, vocês imaginam quantas formaturas, solenidades e homenagens eu já assisti. Mas nenhuma me emocionou tanto quanto a que eu vi agora, isso me dá orgulho. Apesar da idade, isso me dá força para resistir e existir. A gente tem uma longa jornada, e eu me assusto com esse mundo em que a tecnologia manda. Você é um CPF e não mais um ser humano, e esse encontro me deu muita esperança. O mundo é de vocês jovens, por favor, lutem por ele. Saúde.

Juliana Bolshaw, conhecida como Juju, cursa aulas de bordado no projeto e define o A.E.I.O.U. como uma segunda casa, por passar mais tempo na Universidade do que na própria residência. A integrante do grupo, de 24 anos, produz acessórios feitos a mão, nas aulas começou a criar chaveiros de feltro e brincos. Hoje, ela possui uma conta no Instagram em que divulga seus trabalhos. Já Maria Rita Monte-mór, mostrou para a audiência uma performance de Muay Thai, que pratica também na Universidade. Outro dos trabalhos foi o de Arthur Piero, com uma dança indígena. 

Maria Rita Monte-mór na performance de artes marciais. Foto: Amanda Dutra

Nas aulas da professora Fernanda Abranches, é trabalhado diversas linguagens do campo artístico, como pintura, desenho, fotografia e performance. Cada semestre ela elabora uma proposta diferente com o objetivo deles encontrem um caminho para se expressarem e descobrir o potencial de cada aluno para fazer o trabalho da forma mais prazerosa possível, normalmente algo bidimensional. 

- A experiência de ensinar para esse grupo de alunos é muito legal, porque eles são adultos que conservam alguma coisa de criança, eles têm uma visão muito diferente da minha, algo que eu já perdi. É importante eles estarem aqui circulando, interagindo com outros alunos graduandos. É uma forma da academia se abrir para essa diversidade que tem fora dos muros da PUC. 

Alunos do projeto cantaram juntos. Foto: Amanda Dutra

O trabalho não transforma a vida somente dos participantes. Beatriz Voigt, do 7º período de Cinema, é monitora do A.E.I.O.U. há um ano. Para ela, diversidade é um solo fértil, e ela considera este estágio totalmente diferente de outras experiências que teve anteriormente. Beatriz disse que o melhor momento foi o trabalho em conjunto, em que após fazer tarefas em equipe, como descascar amendoim, se deparava com a gratidão.

- É totalmente diferente porque é arte e natureza. Você pode errar toda hora, você pode ser livre para experimentar, a gente tem a comida viva, a gente tem dança, tem costura. Muita coisa que eu pensava que era impossível para mim, eu aprendi aqui. 

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