Esperança na pandemia
20/07/2020 18:04
Esther Obriem

Alunos da PUC-Rio desenvolvem projetos para ajudar a população durante o confinamento

O brasileiro consome quase todos os dias notícias sobre quebra do isolamento social, aumento de mortos pelo novo coronavírus e fraudes no cadastro do auxílio emergencial. Em meio à crise na saúde, alunos dos Departamentos de Comunicação Social, Informática e Serviço Social da PUC-Rio desenvolveram projetos para ajudar o próximo na quarentena. Por meio de sites e perfis no Instagram, os três grupos divulgam vaquinhas on-line, arrecadam cestas básicas e indicam maneiras de enfrentar o confinamento.

O Baixada Ativa é um coletivo criado por alunos de Serviço Social, que têm como principal objetivo conscientizar a população do município sobre questões históricas e políticas. Com a pandemia do novo coronavírus, os integrantes do projeto começaram a distribuir cestas básicas e kits de higiene para moradores da região e alunos do pré-vestibular PVNC Vila Operária. Para dar continuidade à ideia inicial, o grupo realiza debates por meio de lives no Instagram (@baixadaativa).

A graduanda Juliana Marinho explica que o Baixada Ativa começou a fazer doações para ajudar aqueles que ficaram desempregados e não conseguiram o auxílio emergencial. Segundo ela, a maioria dos moradores da Baixada Fluminense trabalha em outros municípios ou tem empregos informais. O coletivo recebe as cestas e os kits por meio de vaquinhas on-line, campanhas no Instagram e parceiras.

– Somos um grupo grande, cerca de quatro alunos de Serviço Social da PUC e seis de outras universidades. Desde o começo da quarentena, acredito que a cerca de 20 cestas básicas para as famílias já foram doadas. Algumas pessoas do Instagram fizeram campanha para nos ajudar, professores organizaram uma vaquinha on-line e uma senhora, que não quer ser identificada, doou algumas cestas.

Alunos do Departamento de Comunicação Social desenvolveram o projeto Não Pira na Quarentena, que visa ajudar as pessoas durante o isolamento com dicas no Instagram (@naopiranaqaretena). Orientado pela professora Lilian Saback, o grupo dividiu o perfil na rede social em oito editorias: música, podcast, streaming, livros, quem seguir, notícias descomplicadas, home office e para relaxar.

Projeto desenvolvido por alunos do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio

A estudante Clara Casé afirma que o projeto se assemelha a um lembrete diário que dias melhores estão por vir. Para ela, a intenção é que cada publicação pareça com conselho de um amigo e que o usuário se sinta abraçado a cada indicação. É preciso manter um equilíbrio entre o consumo de informações e o momento de relaxar, completa Clara.

De acordo com a aluna Carolina Gomes, a mensagem dos posts são dinâmicas para que todos entendam o texto rapidamente. Ela acredita que mostrar conteúdos diferentes do usual e surpreender os usuários com temas diversificados seja o diferencial do Não Pira na Quarentena. Carolina comenta que o grupo pretende motivar o público a sair do celular e praticar outra atividade para relaxar.

– A gente espera que seja um conteúdo que faça a pessoa parar, ler e pensar em se alongar, por exemplo, e sair um pouco da internet. Criamos as editorias com base na rotina que as pessoas têm na quarentena. Por exemplo, no sábado de manhã postamos receitas, porque é mais fácil das pessoas estarem em casa e terem tempo de cozinhar. Na editoria de livros, postamos uma indicação no feed e um trecho da obra para a pessoa ouvir uma pequena parte do livro.

O Sistema Online de Iniciativas e Doações (SOLID) é um site e web app (https://solid.biobd.inf.puc-rio.br/) desenvolvido por alunos do Departamento de Informática, com orientação dos professores Sérgio Lifschitz e Marcos Villas. Formado por seis estudantes de Engenharia e Ciência da Computação, o projeto tem como objetivo reunir iniciativas voluntárias criadas durante a pandemia e informações confiáveis sobre o coronavírus.  

Site do Sistema Online de Iniciativas e Doações (SOLID)

Segundo o aluno Luiz Fellipe Augusto, as campanhas do web app são as que pessoas recebem por e-mail ou WhatsApp com os dados bancários, sem explicações sobre o projeto. Para que as pessoas fiquem mais confiantes em ajudar, a curadoria do SOLID pesquisa sobre a iniciativa e publica no site, um local confiável e oficial da campanha.

O grupo também destaca que o público também pode contribuir, seja com doações ou informações, por meio do e-mail disponível no site. Ao enviar algum projeto, a curadoria analisa a iniciativa para verificar a veracidade do assunto e publica posteriormente. De acordo com o aluno Rodrigo Motta, o site apresenta fontes confiáveis e informações científicas para que as pessoas tenham acesso a pesquisas validadas sobre o coronavírus e possam entender a situação.

– No início do projeto, eu lembro que o Sérgio (professor Sérgio Lifschitz) disse que recebia muitas mensagens de “estamos fazendo uma campanha de doação”, mas elas não tinham muitas informações sobre os projetos. Assim, ele analisou as ideias de outros sites que oferecem informações científicas, e, a partir dessas e de outras ideias, pensou no SOLID, que teria tudo isso. Ao mesmo tempo que o site conseguiria levar informação confiável para as pessoas, ele também conseguiria dar confiabilidade a essas campanhas.

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