Valorização do cinema universitário na pandemia
22/09/2020 15:07
Gustavo Magalhães

Alunos da PUC-Rio participam da Mostra Outro Rio, uma exposição de curtas-metragens produzidos no Rio de Janeiro

Cartaz do filme "Aruã e a Sombrada". O curta foi dirigido por Catharina Vicente.

Alunos de Cinema da PUC-Rio fizeram parte da Mostra Outro Rio, exposição on-line que fez um panorama da produção cinematográfica no Rio de Janeiro. Durante duas semanas, de 31 de julho a 14 de agosto, foram exibidos diversos curtas- metragens do Rio de Janeiro produzidos a partir de 2015. Esta foi a primeira edição e, dentre os mais de 27 filmes, três foram assinados por alunos do curso de Cinema, do Departamento de Comunicação.

A Mostra foi um dos projetos contemplados pelo edital Cultura Presente nas Redes, oferecido pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, pela Secretaria Estadual de Cultura e Economia Criativa e pelo Fundo Estadual de Cultura. Para fazer parte da exposição, os participantes submeteram as obras a um edital.

Estudante do 8º período de Cinema, Catharina Vicente foi a diretora do filme Aruã e a Sombra, criado durante a pandemia da Covid-19. A produção surgiu por causa de um exercício na disciplina Produção Cinematográfica II. Ela conta que o curta- metragem feito por ela e por outros colegas da Universidade foi pensando para retratar a maneira como as pessoas lidam com as próprias sombras.

- Foi super legal, porque, quando ficou pronto, vimos que o filme estava muito sensível e bonito. Resolvemos falar sobre as sombras da nossa solidão e como lidar com nós mesmos sem nenhuma interferência externa. Fizemos uma animação feita com recortes e chamamos uma amiga, que trabalha com dublagem, para fazer a narração. E o festival foi o primeiro que participamos e vimos que várias pessoas assistiram. Recebemos uma recepção boa.

A cineasta destaca que a Mostra Outro Rio lançou a exposição em um momento no qual não ocorria muitos festivais de cinema, principalmente no Rio de Janeiro e com o foco em curtas-metragens. Segundo ela, isso movimentou a cena local de cinema e valorizou as produções mais curtas.

- Focar em curta-metragem foi super interessante, porque ajuda a desmistificar a ideia de que os cineastas produzem curtas porque querem aumentar portfólio ou porque querem fazer um filme mais rapidamente. O festival provou que esses filmes têm uma linguagem muito forte, e isto mostra nossa capacidade como artistas.

Cartaz do filme "À Margem das Torres", do diretor Tom Apilinário.

Outro participante que tem envolvimento com a PUC-Rio é Mateus Sanches, formado em Ciências Sociais pela Universidade. Sanches faz mestrado em Ciências Sociais na UFRJ, mas foi graças às amizades que desenvolveu no campus da Gávea que participou da produção do filme À Margem das Torres. Dirigido por Tom Apolinário, que cursa Cinema da PUC-Rio, o curta-metragem conta a história de pessoas removidas de uma área para a construção do Parque Madureira, em 2011.

- Foi a primeira vez que nosso filme esteve disponível on-line. Percorremos alguns circuitos e passamos por mais de dez festivais no Brasil e três no exterior. A história do nosso filme é sobre uma das maiores áreas de horta urbana no Rio de Janeiro. Ela foi removida para a construção de um parque que, na proposta, seria sustentável.

À Margem das Torres foi um trabalho para a disciplina Projeto Experimental I do curso de Cinema. Segundo o cientista social, o filme foi organizado de maneira coletiva e, acima de tudo, trata de memórias e apagamento do cenário urbano local. O curta chegou a marcar presença no Festival Brasileiro de CInema Universitário e na 15ª Mostra de Cinema de Ouro Preto.

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