Novo tecido antiviral para máscaras de proteção à Covid-19
14/10/2020 12:44
Letícia Messias

Iniciativa é fruto de uma parceria entre o Centro Técnico Científico da PUC-Rio, Inmetro e Coppe/UFRJ

Pesquisadores desenvolvem tecido antiviral para máscaras de proteção à Covid-19.

Uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores no Rio de Janeiro pode ser capaz de neutralizar a ação da Covid-19 em máscaras de proteção antivirais. O tecido, fabricado com materiais sustentáveis, biodegradáveis e composto por nanopartículas, atua como um filtro que inativa os elementos virais respiratórios. Fruto de uma parceria entre o Centro Técnico Científico da PUC-Rio (CTC), Inmetro e Coppe/UFRJ, a proposta é disponibilizar a tecnologia, sem custo, para que o material seja produzido em escala industrial.

O projeto é financiado pela Faperj, por meio do edital Ação Emergencial Projetos para Combater os Efeitos da Covid-19, lançado em março deste ano com a Secretaria de Estado de Saúde (SES). Os representantes da pesquisa na Universidade são o professor Volodymyr Zaitsev, do Departamento de Química, e a coordenadora da Central Analítica, professora Gisele Birman Tonietto, também do Departamento de Química.

Responsável pela caracterização das nanopartículas, Zaitsev explica que as máscaras serão impregnadas com nanopartículas de óxido de zinco e grafeno, obtido a partir do grafite, um material de baixo custo e abundante no Brasil. De acordo com o pesquisador, estes componentes tornarão o tecido híbrido e hidrofóbico, o que impedirá a penetração de micropartículas de água contaminada.

— O material precisa ter propriedades hidrofóbicas. Significa que não reage com a água. Estas máscaras não são comuns na rua, são cirúrgicas, ou seja, muitas pessoas não usam. Se você usa máscaras de algodão, as gotas de água com o vírus são absorvidas e, quando você inala, elas entram. Assim, você não está protegido. Por isso, quem usa máscaras de algodão, nas ruas, não funciona.

Com objetivo de certificar o projeto, Gisele é responsável pela verificação e acompanhamento da pesquisa, que, por se tratar de uma ação emergencial, não terá patente. Isto significa que a tecnologia será de domínio público, disseminada com maior facilidade. A coordenadora afirma, no entanto, não ser possível, no momento, quantificar o preço do material, e que o propósito desta parceria da PUC-Rio com as outras instituições é distribuir aos profissionais da saúde.

— Nosso objetivo é trazer uma máscara muito próxima da N95, utilizada por profissionais da saúde. As de algodão, usadas no dia a dia, não têm nenhum tratamento,são indicadas para a população de uma forma geral. Pretendemos escrever artigos científicos, com uma tecnologia de domínio público. Desejamos, sem dúvida, atender o maior número de pessoas.

Em meio à crise econômica e sanitária, os professores ressaltam que tem sido difícil realizar qualquer pesquisa. Gisele afirma que atender as demandas da sociedade é o maior objetivo da Universidade, e que esta colaboração dá sentido ao trabalho de um cientista. Para ela, a quarentena tornou possível o engajamento, mesmo virtual, de pessoas determinadas a colaborar.

— Poder atender a uma demanda da sociedade com um saber acadêmico faz com que o nosso propósito de estudar e ensinar tenha sentido. Mesmo sem termos nos encontrado fisicamente, o projeto está funcionando muito bem. Isto demonstra que é possível colaborar, mesmo virtualmente. Este é o grande mérito, porque o que nos move não é o dinheiro ou a exposição. É mostrar que a pesquisa é algo viável, aplicável e fazemos bem.

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