Retorno das performances aquáticas
17/03/2021 19:00
Nathalie Hanna Georges

Com duas alunas da PUC-Rio, time de campeãs de nado sincronizado volta aos campeonatos presenciais após um ano do início da pandemia

A atleta Gabriela Regly da Seleção Brasileira de Nado Artístico. Foto: Arquivo pessoal

Com o isolamento social provocado pelo novo coronavírus, muita gente teve que se reinventar. E no esporte não foi diferente. Alguns atletas pararam com os treinos, mas outros conseguiram adaptar a prática mesmo à distância. Um exemplo disso é a Seleção Brasileira de Nado Artístico, que aboliu as performances na piscina e aderiu aos treinamentos virtuais em 2020 para não perder o ritmo. Agora, a equipe brasileira se prepara para o primeiro campeonato presencial Sul-Americano, realizado em Buenos Aires, na Argentina, de 14 a 20 de março, e vai em busca de mais um título depois de um ano longe das piscinas. O grupo é o atual campeão geral da modalidade na América do Sul. 

O time é formado por 13 esportistas, duas são alunas do Departamento de Comunicação da PUC-Rio. Para manter a produtividade, a equipe realizava encontros on-line de segunda-feira a sábado com os treinadores, a fim de manter a rotina que tinha nos ensaios antes da pandemia. De yoga até musculação, os exercícios se tornaram mais variados, o ritmo deles tinha foi intensificado e era possível chegar até oito horas de prática por dia. Com a flexibilização da quarentena, os treinos passaram a ser presenciais, mas foram adaptados para que não houvesse contato entre as atletas e, aos poucos, eles foram normalizados. As atividades mais intensas da seleção retornaram em fevereiro deste ano.

Na Seleção Brasileira desde 2012, Gabriela Regly, de 21 anos, conta que não esperava receber a notícia que o clube pararia de funcionar no ano passado. Aluna do curso de Publicidade, a nadadora revela que ter aulas à distância é algo atípico no esporte e que, apesar do trabalho continuar, a vivência não era a mesma fora da água.

 – Foi uma experiência que eu nunca pensei em passar na vida. Foi totalmente diferente se preparar na piscina e fora dela. Eu pratico um esporte aquático, então a frequência na água é essencial. Precisamos prender o fôlego, ou seja, é necessário ganharmos resistência. O nado sincronizado é um esporte em grupo, dependemos umas das outras – destaca a desportista.

As meninas da Seleção Brasileira durante apresentação. Foto: Arquivo Pessoal

 Com a volta do time para as piscinas, Gabriela diz que a principal mudança do on-line para o presencial foi a alteração brusca no tempo de treino e na rotina das atletas. Segundo a estudante da PUC-Rio, a seleção sempre teve dois períodos para praticar, mas os esquemas foram diferentes desta vez. Embora tenha se preparado menos por conta das medidas preventivas, Gabriela ressalta que as atividades de todas as meninas se tornaram muito intensas porque a competição estava perto de ocorrer.

– Ano passado foi completamente atípico para nós. Mesmo quando voltamos ao presencial, a carga de treinamento se tornou menor porque tínhamos que dividir a equipe e era muita gente, ou seja, não era possível todo mundo estar na água ao mesmo tempo. No início foi um pouco difícil por conta do cansaço, mas, com o tempo, nos acostumamos. Sempre colocamos na cabeça que no final tudo vale a pena e pensamos que vamos escutar o hino e conseguir trazer mais um Sul-Americano para casa.

No cenário atual, competições como os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, que ocorreriam em 2020, foram adiadas para este ano, já que a preparação dos participantes e a organização dos eventos sofreram impasses. Também estudante da PUC-Rio, Maria Clara Lobo, de 22 anos, considera que a decisão do Comitê Olímpico Internacional (COI) foi correta, pois, para ela, a permanência dos Jogos no período previsto seria irresponsável, além de ser prejudicial aos atletas. Apesar da reestruturação, Maria Clara, que estuda Jornalismo, observa que a volta presencial foi cansativa e ressalta a dificuldade de manter a rotina dos exercícios.

– Foi muito difícil esse retorno aos treinos intensos depois de ficar praticamente um ano fora das piscinas. Acredito que a maior diferença é se adaptar com a rotina e estar preparada para todas as adversidades que ainda vamos enfrentar, como a possível paralisação dos treinos novamente e a adaptação aos campeonatos virtuais. Para mim, a competição em 2021 será muito especial, porque é a primeira vez que ocorre esse adiamento em prol do coletivo, e os jogos têm tudo a ver com a união – relata.

A nadadora Maria Clara Lobo, de 22 anos. Foto: Satiro Sodré/CBDA

Para que 2020 não passasse em branco, sem competições do nado sincronizado, torneios virtuais foram realizados durante a quarentena. Com restrições, as disputas não tinham público, e, para evitar aglomerações, as apresentações eram apenas individuais. Maria Clara explica que, de acordo com as regras, os solos só podiam ser gravados uma vez, e os juízes se reuniam on-line para dar as notas.

 – Cada competição adapta-se de uma forma diferente, mas o formato mais comum tem sido de gravação das coreografias e arbitragem ao vivo por plataformas virtuais. Elas possibilitam mostrar os vídeos das apresentações e as notas dos árbitros – diz.

Apesar dos desafios, o home office também trouxe pontos positivos: a interculturalidade ganhou força. A equipe realizava encontros on-line com delegações de diversos países. Segundo a técnica auxiliar da Seleção Brasileira Adulta de Nado Artístico, Jessica Noutel, de 28 anos, o que antes parecia inimaginável se tornou realidade. De acordo com ela, o principal objetivo da integração era compartilhar práticas típicas de cada país, vivenciar técnicas distintas de treinamento e aprender, cada vez mais, com o outro. 

 - Nós participamos de encontros com os países pan-americanos toda sexta-feira. Nessa conversa, cada país trazia uma atividade diferente e que tivesse a ver com sua cultura. Na vez do Brasil, convidamos o atleta de nado Kennedy Lima, formado em educação física, para dar uma aula de balé e samba, foi muito divertido – relembra Jessica.

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