Ciência como chave para enfrentar a crise mundial
17/03/2021 19:39
Giovanna De Luca

Professor Titular da USP, Paulo Artaxo ministra a Aula Inaugural do CTC

Professor Titular da Universidade de São Paulo (USP), Paulo Artaxo afirmou na Aula Inaugural do Centro Técnico Científico (CTC) que a crise atual do Brasil tem três pilares: saúde, mudanças climáticas e o comprometimento do ecossistema. E, segundo o físico, a ciência é o caminho para enfrentar os problemas nacionais e mundiais. A aula foi realizada de forma remota no dia 12 de março.

- Na verdade, a nossa humanidade está passando por três emergências. A primeira é a da saúde com a Covid-19, enfrentamos também a perda de biodiversidade e, por fim, o desequilíbrio climático. Atualmente, não temos condições de enfrentá-las, pois elas exigem investimento e crença na ciência. Precisamos da ciência, ela é chave para sairmos destas grandes crises.

O tema da palestra foi Crise climática e os desafios para a ciência no Brasil, e Atarxo apontou que é fundamental que exista uma governança global para controlar as grandes adversidades que a humanidade enfrenta no século XXI.  

- Na situação da Covid-19, por exemplo, cada município, cada estado e cada país definiu uma estratégia para conter um vírus que é global, e, como podemos perceber, não temos tido sucesso. A falta de uma governança global, que lide com as três crises, vem acarretando impactos sociais e econômicos.

Ao diferenciar uma crise da outra, o cientista traçou uma escala temporal. Ele considera a crise sanitária como algo finito, mas, observou, as da biodiversidade e de desequilíbrio climático são eternas. Ele ainda defendeu a necessidade de mudanças no modelo socioambiental nacional no mundo pós- pandemia. O físico explicou que a população vem abusando cada vez mais dos serviços que a natureza oferece.

 - As três crises atuais têm resoluções similares, mas possuem diferenças importantes. Em uma escala temporal, a crise da saúde é algo que vai passar, pelo menos em alguns anos, mas a mudança climática vai durar vários séculos, e a perda de biodiversidade é para sempre, ou seja, perdeu uma espécie, não tem volta. Estamos extorquindo a natureza, e podemos ter certeza de que ela vai nos dar o troco.

Professor no Instituto de Física da Universidade de São Paulo, Paulo Artaxo é especialista em mudanças climáticas. Já trabalhou na NASA (Estados Unidos), Universidades de Antuérpia (Bélgica), Lund (Suécia) e Harvard (Estados Unidos). Em 2004, o físico recebeu um voto de aplauso do Senado Brasileiro pelo trabalho científico na Floresta Amazônica e é membro da equipe IPCC que foi agradecida com o Prêmio Nobel da Paz de 2007.

 

 

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