Em Filosofighters, o jogador escolhe pensadores como Platão, Marx, Nietzsche, Sartre e Simone de Beauvoir para um confronto corpo a corpo. O gênero de newsgame, em que conteúdo e informação são oferecidos ao usuário, surgiu como uma maneira de oferecer diversão e entretenimento na linguagem adequada aos que cresceram em meio às novas tecnologias.
A produção desse tipo de game começou de forma independente, em 2001, quando o designer uruguaio Gonzalo Frasca criou o game Kabul Kaboom, inspirado na guerra do Afeganistão. Em 2004, ele coordenou a elaboração de Play Madri, o primeiro newsgame oficial, para o jornal El País, inspirado no atentado terrorista na capital espanhola, em março do mesmo ano. Mais tarde, a experiência foi replicada por outros veículos estrangeiros como CNN e Th e New York Times. A partir de 2007, as primeiras produções brasileiras na área foram feitas pelos sites G1 e Mundo Estranho, o jornal O Estado de S. Paulo, e as revistas Galileu e Superinteressante.
Os newsgames são classificados a partir de seis categorias: atualidades, documentários, infográficos, comunitários, quebra-cabeças e plataformas. Segundo o jornalista e desenvolvedor, Frederico Di Giacomo, responsável por produções como o Jogo da Máfia e Filosofighters, tanto a parte técnica quanto jornalística precisa ser pensada em conjunto.
– Da reunião de pauta surgem duas missões iniciais: o jornalista deve apurar e o designer pensar a estrutura visual. Depois, começa o trabalho do ilustrador para projetar a interface. Com a arte pronta, é a vez do programador. Terminada essa etapa de desenvolvimento, há a trilha sonora e a fase de testes. Nós precisamos de tempo para averiguar o produto antes de colocar no ar. É preciso ver erros, jogabilidade, nível de desafios e o que pode ser ajustado – explicou Giacomo.
Segundo a professora Marilia Martins, do Departamento de Comunicação Social, a interatividade articulada com o saber é o diferencial do segmento.
– O newsgame é útil quando é interativo e dialoga com informação de qualidade. Esta é uma mídia capaz de reinventar o jornalismo se usada para construir uma narrativa e não apenas para satisfazer as pessoas diante da tela do computador ou celular – diz Marilia.
Entre os games digitais, os baseados em notícias são denominados Serious Games ou Jogos Sérios, não restritos unicamente em promover o lazer. Para Giacomo, a função desse formato é fundir informação e entretenimento.
– Se o newsgame só diverte, ele é só jogo. Se só informa, é só jornalismo – afirma o desenvolvedor.
Segundo o pesquisador Flávio Nazario, do Laborátório de Ergodesign e Usabilidade da PUC-Rio, especialista em gamificação, essa mídia é uma forma interessante de estratégia para atrair o público que cresceu imerso na cultura virtual.
– O mercado demonstra que apostar nos jogos baseados em notícias é uma boa estratégia para renovar a audiência, já que há pelo menos duas gerações, Y e Z, compostas de nativos – afirma Nazário.