Tecgraf celebra três décadas de pesquisa e inovação em software
30/06/2017 15:43
Erick Foti

O Instituto Tecgraf de Desenvolvimento de Software Técnico-Científico (Tecgraf) da PUC-Rio completa 30 anos de pesquisas e desenvolvimento de softwares voltados para setores como as indústrias petrolífera, de entretenimento digital, medicina, meio ambiente e militar.

Diretor do Instituto e professor do Departamento de Informática, Marcelo Gattass se dedica ao trabalho no Tecgraf desde o início do projeto. Foto: Isabella Lacerda

O Instituto Tecgraf de Desenvolvimento de Software Técnico-Científico da PUC-Rio (Tecgraf/PUC-Rio) completa 30 anos de pesquisas e desenvolvimento de softwares voltados para diversos setores. Entre eles, estão a indústria petrolífera, de entretenimento digital, medicina, meio ambiente e militar. Desde o início da instituição, a Petrobras foi a principal parceira e investidora das tecnologias desenvolvidas no Tecgraf, com a utilização de softwares de produção e logística que auxiliam no processo de gestão de toda a cadeia petrolífera, desde “o poço ao posto”. Apesar de criar produtos para a indústria, o compromisso com pesquisas acadêmicas é respeitado pelo Instituto, que também serve de celeiro para capacitar estudantes da Universidade.

No ano de 1985, a PUC-Rio, que já era conhecida por ter sediado o primeiro computador de grande porte em universidades do Brasil, inaugurou o Grupo de Computação Gráfica, vinculado aos Departamentos de Informática, Engenharia Civil e Matemática. No ano seguinte, a partir desse núcleo, a Fundação Padre Leonel Franca e a Petrobras firmaram um convênio de investimento na computação gráfica da Universidade, o que marcou a fundação do Grupo de Tecnologia em Computação Gráfica da PUC-Rio. Em 2013, o Tecgraf passou a ser um instituto, vinculado à Vice-Reitoria de Desenvolvimento.

A equipe inicial do instituto era de 12 pessoas e ocupava salas do primeiro andar e do subsolo do Rio Datacentro (RDC). Hoje, o Tecgraf está localizado no Edifício Padre Laércio Dias de Moura, que abriga cerca de 400 funcionários dedicados aos projetos. Segundo o ex-gerente geral do Tecgraf e atual colaborador Albino Tavares, a criação do Instituto só foi possível devido a determinação do ex-diretor do RDC Luiz de Castro Martins.

- Quando o professor Luiz Martins voltou para o RDC, ele tinha a difícil missão de renovar o parque computacional da PUC, mesmo sem recursos. Ele achava que a computação gráfica era uma área ainda muito insipiente no Brasil e que essa renovação tecnológica poderia levar a Universidade a um outro patamar. Com o apoio do Padre Laércio Dias, Reitor da PUC na época, e do José Pelúcio, ex-presidente da Fundação Padre Leonel Franca, ele conseguiu recursos e interessados em implementar essa infraestrutura no ambiente acadêmico da PUC.

Tavares fez parte do grupo de Computação Gráfica que originou o Tecgraf e acompanhou o crescimento do Instituto enquanto fez parte do corpo de funcionários, entre 1987 e 1990 e entre 2000 e 2011. Para ele, há um comprometimento acadêmico em preparar os estudantes da Universidade para uma carreira profissional independente. Mesmo aposentado, Tavares continua como colaborador do Tecgraf e disse ter um sentimento especial pelo trabalho realizado no local.

Professor do Departamento de Informática e diretor do Tecgraf, Marcelo Gattass considera a gestão da Fundação Padre Leonel Franca essencial para que o Instituto se sustente e não interfira diretamente no planejamento financeiro da Universidade. Ele classifica o Tecgraf como um modelo autossustentável de pesquisa, desenvolvimento e inovação, que fez nascer uma linguagem de computação capaz de projetar a PUC-Rio.

- Acho que somos um exemplo bem-sucedido de uma grande produção acadêmica, ao mesmo tempo em que desenvolvemos inovações e produtos valiosos para o mercado. A PUC foi berço dessa ideia e tem sido pioneira, no Brasil, em procurar modelos autossustentáveis. O Tecgraf é um exemplo disso.

Gattass destaca a importância dos softwares de preservação ambiental criados pelo Instituto. Segundo o professor, quando se trabalha com uma indústria tão delicada quanto a petrolífera, é necessário alocar os melhores profissionais para evitar desastres ambientais. Para ele, esse trabalho é reconhecido pela eficiência, pois, até hoje, não há relatos sobre falhas.

O Tecgraf é um dos poucos modelos brasileiros de sucesso em pesquisa e desenvolvimento de softwares. Para o diretor, isso é importante porque, segundo ele, há um estigma de que projetos complexos não podem ser produzidos no Brasil. Gattass espera que, no futuro, o Tecgraf continue em processo de evolução com as premissas básicas que aplica hoje.

- Espero que o Instituto se consolide e seja aprimorado e transformado. Queremos fazer com que a Universidade seja fortalecida e faça sua eficiência transparecer para o meio produtivo. Além disso, que as empresas parceiras cresçam e sejam cada vez mais competitivas e, o mais importante, fazer com que os nossos profissionais possam participar, no Brasil, de institutos como esse.

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