Os desafios de se reinventar
10/05/2018 12:59
Eduardo Diniz

Ciclo de palestras do ECOA PUC-Rio discutiu os obstáculos das empresas no investimento em inovação.

 

O Gerente de Integração do LES, Rafael Nasser Foto: Gabriela Azevedo

Inovar é uma necessidade e um desafio para qualquer empresa se manter expressiva no mercado. Com o avanço veloz das tecnologias e da obrigação de se reinventar, as corporações investem mais em estudos e pesquisas para acompanharem essas mudanças. De olho nessas tendências, o Laboratório de Engenharia de Software (LES) da PUC-Rio oferece programas, em parcerias com empresas, para o desenvolvimento de novas soluções de inovação. Uma edição do ciclo de palestras do ECOA PUC-Rio, um projeto que tem como objetivo disseminar a programação em computadores em “pílulas de conhecimento”, ocorreu na terça-feira, 8, no auditório do RDC, e trouxe profissionais da área e professores da Universidade para uma discussão sobre os desafios da inovação.

Durante a abertura do ciclo, o diretor do Departamento de Informática, professor Hugo Fuks, defendeu que a programação é a linguagem do século XXI. Para ele, essa forma de escrever não deve ficar presa aos estudantes de computação e de engenharia, mas deve transpor as barreiras das áreas. De acordo com o professor, o ECOA PUC-Rio foi criado, em parceria com o LES, para levar esse domínio a outros estudantes e Departamentos da Universidade por meio de palestras e vídeos curtos na internet.

— A computação é disruptiva por natureza. Desde que ela surgiu, transformou toda a realidade, independe do âmbito. Tudo passou a ser escrito em 0 e 1 (a linguagem da programação) na biologia, na física, na filosofia. Os nossos programas focam no trabalho, em conjunto com diferentes áreas, para a inovação com i minúsculo, que são as soluções práticas para o dia-a-dia. Nossos programas são desenvolvidos para alunos de diferentes cursos trabalharem em conjunto porque a realidade fora da Universidade é assim. Ninguém trabalha sozinho. Colaborar é tudo.

 

 O diretor de marketing da Mongeral Eagon, Nuno David, durante palestra Foto: Gabriela Azevedo

O diretor de marketing da seguradora Mongeral Aegon, Nuno David, destacou as novas tecnologias na área da saúde, como o teste genético e os dispositivos vestíveis de controle corporal, como fatores fundamentais para o futuro da nova medicina. Ele acredita que os planos de saúde devem ser personalizados para cada pessoa a partir da qualidade da alimentação, das práticas de atividades físicas e da probabilidade de riscos que cada um tem, e não um valor médio que todos pagam igual, como é feito hoje em dia.

— Os seguros de saúde atualmente são reativos, que cuidam das pessoas quando elas apresentam um problema. No futuro, ele pode ser preventivo, que vai antecipar o problema para prevenir ou curá-lo antes dele ocorrer de fato. Os avanços nas tecnologias de saúde que podem possibilitar isso. A Mongeral Eagon investe muito nessas inovações para descobrir e inventar novas maneiras para o controle de saúde de cada um e melhorar a qualidade de vida da população.

 

A diretora do Youtube Space Rio, Livia Marquez, durante apresentação Foto: Gabriela Azevedo

Até para as empresas que já trabalham com tecnologia e redes sociais, inovar é sempre necessário para se manter expressivo no mercado. O Youtube inaugurou, em agosto do ano passado, uma filial do Youtube Space no Rio de Janeiro para produtores de conteúdo brasileiros. O Space é um local com vários estúdios e locações para youtubers gravarem vídeos para os canais e experimentarem novas ideias, além de também oferecer cursos para aprimoramento e profissionalização desses criadores da plataforma. A diretora da filial do Rio, Livia Marquez, frisou que a economia criativa já corresponde a 3,7% do PIB brasileiro, e que o Youtube Space contribui para isso.

— Um bilhão de horas em vídeo são assistidos todos os dias no Youtube pelo mundo, e o Brasil é o terceiro país na lista desse ranking. Cerca de 70% do que é consumido pelo brasileiro são de produtores nacionais. Criamos um espaço especialmente no Rio por ser a capital audiovisual da América Latina. Queremos profissionalizar esses criadores de conteúdo brasileiros e aumentar esses números ainda mais.

 

 Uma das fundadores do Juntos pelo Rio, Lindalia Junqueira, durante a palestra Foto: Gabriela Azevedo

Dentro dessa linha de valorizar a inovação no Rio de Janeiro, o movimento Juntos pelo Rio foi criado por empreendedores e líderes empresariais que buscam criar e potencializar as oportunidades de negócio locais através da colaboração, inovação e tecnologia. Uma das fundadoras, Lindalia Junqueira explicou que o projeto tem como objetivo principal potencializar eventos e criações cariocas a partir da conexão de pessoas, e acredita que, assim, a cidade pode retomar o título de cidade inteligente até 2020.

— Dividimos os projetos em 12 clusters diferentes, que variam desde educação e sustentabilidade até economia criativa e seguros. O Juntos propõe um cruzamento de dados para dar visibilidade das startups cariocas para o mundo e que seja um local onde os outros países possam procurar sobre essas novas criações da cidade. Apesar das pessoas não saberem, o Rio é a cidade mais inovadora do Brasil, desbancando até São Paulo. Temos que preservar isso e crescer ainda mais.

O Gerente de Integração do LES, Rafael Nasser, durante apresentação Foto: Gabriela Azevedo

O Gerente de Integração do LES, Rafael Nasser, afirmou que as empresas já perceberam que precisam se reinventar, e que os departamentos de inovação, que antes eram pequenos e com pouco investimento, agora cresceu e são importantes no planejamento do futuro. Ele relembrou que grandes empresas, como a Apple, a Mongeral Eagon e a Globo, fecharam parcerias com a PUC-Rio para a produção de programas de inovação tecnológica. Nasser comentou que essas empresas, para se manterem expressivas no mercado, entendem que precisam de novas oportunidades para crescerem.

— As empresas queriam ser iguais castelos, firmes e fortes. Com o passar do tempo, porém, elas começaram a ver que tinham que inovar para continuar no mercado. Esse castelo é destruído pela tecnologia, e agora elas sabem disso. A Kodak, por exemplo, perdeu espaço por não inovar em imagem digital, mesmo sendo, na época, a maior empresa do ramo da fotografia. É muito difícil para quem está sentado no trono, dentro desse castelo, pensar que as coisas não vão ser as mesmas para sempre, mas é necessário inovar para que esse castelo não se destrua.

A edição do ciclo de palestras do ECOA PUC-Rio recebeu também, na parte da manhã, Eduardo Kaplan, do Departamento de Tecnologia de Informação e Comunicação no BNDES; o diretor de desenvolvimento científico e tecnológico da FINEP, Fernando Ribeiro; o ex-diretor da Anprotec José Roberto Sampaio Aranha; o representante da Empretec Marcos Martins; o sócio da Gondim Adv Gustavo Albuquere; o representante da SingularityU Brasil Marconi Pereira; o músico e professor da Universidade de Columbia Arthur Kampela.

Na parte da tarde, palestrou o secretário de inovação da Prefeitura do Rio, Leonardo Soares; a advogada da BMA Advogados Elaine Palmer; o gerente pedagógico do Descomplica Maurício Martins; o diretor de inovação tecnológica da Tim, Janilson Júnior (TIM); o CEO da Brain Ventures, Marcelo Almeida; o CEO da Mutual Club, Leonardo Rebitte;   a gerente do Programa de Cultura Empreendedora do Instituto Gênesis da PUC-Rio, Julia Zargo; e o coordenador acadêmico de tecnologia da PUC-Rio, Marcelo Pereira.

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