Caminhos e perigos da Inteligência Artificial
21/06/2018 14:42
Pedro Madeira

Lançamento e debate sobre o livro Superinteligência define conceitos, esclarece equívocos e especula sobre o futuro das máquinas inteligentes

Livro Superinteligência faz parte da linha Crânio da editora. Foto: Amanda Dutra

A editora Darkside, em parceria com o Instituto Gênesis, lançou, ontem, no auditório do Gênesis, o livro Superinteligência: Perigos, Caminhos e Estratégias, do filósofo sueco Nick Broston. Houve também um debate com a pesquisadora do IBM Research e Ph.D Bianca Zadrozny, especialista em Inteligência Artificial (IA), e o jornalista Bruno Dorigatti. Durante a discussão, foram abordados temas relacionados à IA, como o conceito desta tecnologia, a inteligência humana e racional, e os desafios para pesquisadores.

O encontro começou com a explicação de Bianca Zadrozny sobre o significado do termo IA. Segundo a pesquisadora, os estudos em IA iniciaram há 50 anos, e os conceitos sobre a este campo já eram uma preocupação. De lá para cá, algumas tentativas de definições foram formuladas, mas também surgiram polêmicas. A primeira delas, de acordo com a Bianca, é entender a IA como uma tecnologia capaz de pensar de forma humana, porém, lembra a pesquisadora, os modos de pensar do humano ainda são indescritíveis e difíceis de estabelecer. A outra compreensão das IAs nesse embate é a de projetar uma tecnologia para pensar racionalmente e otimizada para concluir tarefas determinadas.  

- Tem essa questão da IA, se é funcionar como um humano, ou de maneira racional. Muitos algoritmos de IA são desenvolvidos dessa forma (racional), e eles não agem como humano, então ainda não há uma definição exatamente.

Encontro contou com a participação de uma platéia conhecedora. Foto: Amanda Dutra.

Embora o termo esteja associado a algo futurístico, a Inteligência Artificial já está presente em nossas vidas. De acordo com Bianca, as pessoas não se assustam mais com a tecnologia de reconhecimento facial usada no aeroporto, por exemplo, uma espécie de IA que executa um processo exclusivo do cérebro humano - reconhecer individualmente rostos. Segundo a pesquisadora, há três anos o termo ganha cada vez mais popularidade como forma de chamar atenção.

- Quanto mais inovações são feitas, mais difícil é atingir essa definição. Mas nos últimos dois, três anos, o termo IA virou moda, de forma que, agora, várias coisas são chamadas de AI. A empresa de eletrodomésticos vai lá e fala que ‘a minha geladeira tem IA’ para gerar vendas.

Bianca Zadrozny e Bruno Dorigatti pautaram os assuntos. Foto: Amanda Dutra

Segundo o jornalista Bruno Dorigatti, o autor de Superinteligência: Perigos, Caminhos e Estratégias, Nick Bostron, é cauteloso com relação ao desenvolvimento da IA. Bianca acrescentou que a IA precisa tomar decisões baseadas em cálculos racionais e lembrou que Bostron imagina a possibilidade de existir futuramente uma IA autônoma. Embora ele acredite ser algo pouco provável de acontecer, observou a pesquisadora, o filósofo alerta para as consequências, que seriam enormes. Ela lembrou do caso do carro autônomo, que neste ano atropelou uma pessoa que atravessava a rua no Arizona, Estados Unidos.

- Nesse caso, ela (IA) precisa escolher o melhor entre salvar o motorista ou o pedestre. O carro vai ter de tomar algumas decisões que o humano toma naturalmente, a diferença é que estamos na emoção e no calor do momento. Mas aquele tipo de pensamento em que pessoas têm medo do computador querer destruir a raça humana, eu acho difícil. Mas é aquilo que o autor falou, existe uma probabilidade, então é preciso desenvolver mecanismos de defesas 

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