Diálogo para a restauração ecológica
03/08/2018 18:02
Julia Carvalho, Lethicia Amâncio e Pedro Madeira

Simpósio reúne organizações e pesquisadores para discutir projetos em benefício do meio ambiente

O Simpósio ocorreu nos dias 2 e 3 de agosto na PUC. Foto: Thaiane Vieira.

A PUC-Rio recebeu, na quinta, 2, e sexta-feira, 3 de agosto, o I Simpósio de Restauração Ecológica do Estado do Rio de Janeiro, onde foram debatidos temas ligados ao reflorestamento da cidade e as alternativas e desafios para a recuperação das áreas devastadas. O encontro é uma iniciativa do Departamento de Biologia, em parceria com a prefeitura do Rio de Janeiro, com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), com o Instituto Brasileiro de o IBAMA, o Instituto Estadual do Meio Ambiente (Inea), e outras instituições ligadas ao meio ambiente.

De acordo com Richieri Antonio Sartori, do Departamento de Biologia, o simpósio é um esforço de unir diferentes organizações que trabalham com reflorestamento e que, na opinião dele, pouco se comunicavam. Para ele, a prefeitura tem sido um dos maiores promotores de restauração ambiental no mundo, e já reflorestou pouco mais de 3 mil hectares. Além de trazer para a Universidade um assunto cada vez mais crescente entre os estudantes, Richieri explicou que o encontro visa discutir soluções com empresários, órgãos públicos e academia.  

- Resolvemos conversar sobre isso, porque tem muita gente que trabalha com restauração no Rio, mas são grupos isolados. Trouxemos pessoas que desenvolvem pesquisas sobre restauração na academia há muito tempo, alunos que querem conhecer um pouco mais sobre o assunto e agentes que trabalham nisso. Estamos propondo debater quais são as dificuldades que o governo vem impondo e, com o Inea, o Ibama e a Prefeitura aqui, podemos discutir como resolver isso.

Na sexta-feira, 3, na parte da manhã, o engenheiro ambiental da Prefeitura do Rio Cláudio Santana proferiu a palestra , em que contou um pouco sobre o histórico de restauração da cidade e os trabalhos desenvolvidos da Prefeitura. De acordo ele, os programas de reflorestamento da cidade estão sob a direção da Prefeitura e são divididos entre o Projeto Mutirão, que é focado em comunidades; projetos frutos de medidas compensatórias impostas pela Prefeitura às empresas; e o reflorestamento terceirizado. Com a maior parte da restauração do Rio de Janeiro oriunda do Projeto Mutirão, segundo o engenheiro ambiental, a cidade é referência para instituições mundo a fora desde a ECO-92, conferência da ONU realizada no Rio de Janeiro em 1992.  

- São duas gerências: uma focada no Mutirão e outra que centra em projetos distintos. Eu sempre fui ligado ao Mutirão. Para os outros projetos da outra gerência, o que muda é a fonte de recurso. Tem contratos terceirizados, que são feitos diretamente entre a Prefeitura e empresa. Mas, contrato terceirizado tem um problema, porque ele tem prazo definido. E isso é outra coisa que o Mutirão tem de vantagem: ele não tem prazo de término.

O engenheiro ambiental da Prefeitura do Rio Cláudio Santana participous da mesa Reflorestamento da Cidade do Rio de Janeiro: História e Perspectiva. Foto: Thaiane Vieira.

Santana se orgulha dos trabalhos de reflorestamento realizados no Morro Dois Irmãos, cartão postal da Zona Sul da cidade, e na Serra do Cantagalo, em Campo Grande, ambos realizados pelo Mutirão. O projeto teve o primeiro lote reflorestado em 1986 e, de lá para cá, só cresce. O engenheiro explicou que o trabalho é feito com a mão de obra dos moradores da comunidade, em áreas que necessitam da ação da Prefeitura contra a expansão das favelas. Paralelo ao trabalho de campo, é feito um trabalho de conscientização ambiental com moradores das comunidades.

- Dos projetos realizado pelo Mutirão, 95% são demandas dos moradores dos morros. Tem duas entidades que congregam as associações de favela, a FAFERJ e a FAMERJ, que solicitam ação da prefeitura. As pessoas começaram a ver que gerava benefício: emprego, área de lazer e renda. Não é um contrato de trabalho, então eles ganham uma bolsa para reflorestar a área onde vivem.

Na parte da tarde, no Auditório Padre José de Anchieta, ocorreu a mesa sobre o tema Planejamento e Monitoramento de Áreas em Restauração. Mediado pelo pesquisador Rodolfo Abreu, do Instituto Florestal do Estado de São Paulo, o encontro contou com a participação dos professores Renato Crouzeilles e Ciro Moura, da UFRJ, Jerônimo Sansevero e Alexandra Pires, da UFRRJ, e Denivan dos Santos, da Prefeitura do Rio.

O custo financeiro e viabilidade da restauração e monitoramento no Estado, a importância da fauna nesses processos e o Projeto Mutirão, que atua em comunidades do Rio e conscientizam moradores, foram alguns dos temas discutidos.

Outra mesa realizada na parte da tarde, a palestra Instrumentos Financeiros para a Restauração Florestal trouxe organizações e financiadores para conversar sobre estratégias e projetos de financiamento. A mesa era composta pelo novo secretário do meio ambiente de Volta Redonda e um dos criadores do Instituto Terra de Preservação Ambiental (ITPA), Maurício Ruiz Catello Branco, pelos representantes da Secretaria do Meio Ambiente (SEA) Rafael de Souza Ferreira, do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Raphael Stein, do Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora) Gustavo Martinelli e do Rio Rural Helga Restum Hissa.

A coordenadora técnica do Rio Rural Helga Restum Hissa apresentou estratégias no encontro. Foto: Thaiane Vieira.

Helga, Branco e Martinelli apresentaram as estratégias e os projetos realizados pelas instituições onde trabalham e destacaram a importância do planejamento ao buscar um financiamento para a execução dos projetos. Ferreira e Stein explicaram formas de subsídio para iniciativas de diferentes formatos. Um dos mais discutidos foi o de empreendedores que precisam fazer a restauração ecológica e procuram por custeamento.

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