Poesia e o Divino em diferentes contextos
28/09/2018 12:46
Nicole Polo

No segundo dia da VII Conferência Internacional de Literatura e Teologia, o presidente da Academia Brasileira de Letras (ABL), Marco Lucchesi, proferiu palestra sobre teologia das distâncias

A teologia negativa, a tradição delirante, o estilo poético de José Tolentino Mendonça e as figuras de Deus na poesia de Marcelo Rioseco foram os tópicos apresentados na manhã de quarta-feira, 27, no segundo dia da VII Conferência Internacional de Literatura e Teologia. Antes das palestras iniciarem, houve uma apresentação musical da Bia Stutz e do quarteto de choro.

O presidente da Academia Brasileira de Letras, Marco Lucchesi, expôs, dentre outros pontos, a teologia negativa ou apofática. Esse conceito diz respeito a ideia do Deus distante e inalcançável. O Divino seria indescritível, fisicamente e conceitualmente, para o homem. Nessa visão, é possível afirmar somente o que Ele não é.

Lucchesi relembrou das experiências pessoais com a distância, como por exemplo, o contato que mantém com presidiários no Rio de Janeiro e como o afastamento é sentido entre eles. O presidente da ABL contou também da viagem à Índia, onde experimentou a perspectiva do abandono e da austeridade. Segundo ele, essas vivências o levaram a buscar conhecimento sobre a distância, também estudada por muito pensadores.

Presidente ABL - Thaiane Vieira

- Grandes filósofos e teólogos trataram longamente desse problema da distância. Por muito tempo, se chamou de teologia negativa ou apofática, tão enriquecida, tão constituída a partir das famílias neoplatônicas, que deram vida ao invisível, ao impronunciável. Essas famílias construíram, no Ocidente, a ponte para, de alguma forma, realizar o desejo de romper, mesmo que de forma ficcional ou mínimas, e por isso mesmo arriscada, essa distância.

Marco Lucchesi ressaltou o teor poético e rico dos textos sagrados. Para ele, a mística exprime o caráter poético de Deus, e tanto na doutrina mulçumana quanto na Idade Média, o divino é apresentado como distante, sendo que, no Alcorão, a imagem de Deus é inexistente. O presidente da ABL afirmou ter paixão pelos poemas de Friedrich Hölderlin. O poeta, como afirma Lucchesi, viveu um recorte dramático, um embate entre Deus distante ou próximo.

Thaiane Vieira

No segundo encontro da manhã, o professor da UFRJ Eduardo Losso expôs o conceito de tradição delirante dentro da realidade literária brasileira. Para ele, o movimento modernista coloca o simbolismo como tradicional e conservador, sendo que, segundo ele, o simbolismo foi uma corrente contrária a tradição “não-mística” do século XIX.

O professor José Teixeira, da Universidade Católica Portuguesa de Porto, contou sua experiência poética e religiosa com os poemas de Tolentino Mendonça. Já o professor da PUC-Chile Roberto O’Nell fez uma análise crítica das figuras de Deus na poesia de Marcelo Rioseco.

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