A crítica do cinema a partir da história e da experiência
05/10/2018 12:21
Nicole Polo

O professor Miguel Pereira, do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio, e o professor da ECA-USP Ismail Xavier contam a história e experiências pessoais da crítica cinematográfica

A crítica e o próprio cinema se completam. A produção cinematográfica não evoluiria se não houvesse uma avaliação que impulsionasse uma elaboração melhor a cada filme. A análise dessa relação foi feita pelo professor Miguel Pereira, do Departamento de Comunicação Social da PUC-Rio, e pelo professor Ismail Xavier, da ECA-USP, em encontro na quinta-feira, 4, no auditório do RDC.

Ismail Xavier expôs a crítica do cinema a partir da observação histórica. Segundo ele, esse tipo de julgamento começou pelo cine clubismo na Europa [nos anos de 1910]. Nesses locais, a exibição dos filmes era acompanhada de uma apreciação estética e estrutural. Xavier explicou que, em um segundo momento, nos de 1930, surgiram as cinematecas, principalmente na França. Elas estavam ligadas aos cineclubes e, como expôs o professor da USP, proporcionaram o pensamento histórico do cinema por reunirem filmes produzidos em diferentes períodos.

Conforme Xavier, esses cinéfilos e críticos tiveram discordâncias e embates com os estudiosos da Academia, quando ela incorporou o cinema nos seus estudos. Segundo o professor, a universidade se tornou uma nova frente de como pensar os filmes e formou diversos críticos. Para ele, os acadêmicos e os pensadores do cinema precisam estar em constante contato para desenvolverem os pensamentos e análises.

- Pessoas que já eram atuantes no meio do cinema e já faziam reflexões em outras instâncias vieram para a universidade e trouxeram toda uma cultura importante. A universidade precisa dessa circulação de experiências de como pensar o cinema com o envolvimento de críticos, cineastas e pessoas ligadas a cinemateca. Isso é fundamental.

Ismail Xavier (Gabriela Azevedo)

O professor Miguel Pereira expôs sua experiência pessoal como crítico de cinema. Ele afirmou que a análise dele é movida pela rapidez exigida do jornalismo. Isso gerava insegurança no professor, que tinha dúvidas em relação às observações feitas. Segundo Pereira, antigamente, o filme era um objeto de avaliação e, agora, existe um diálogo, um contato entre os dois. Para o professor, nessa profissão, ter uma cultura de filmes é importante, e o estudo e a escrita sobre o cinema são para a vida toda.

- Não adianta ser crítico de cinema só por ser. Tem que ter um fundamento, uma base; uma cultura grande e elaborada; uma cultura filosófica; e uma cultura cinematográfica. Não dá para fazer crítica sem conhecer os grandes filmes da história do cinema. É essencial ter essa cultura de filmes, não só do cinema puro, do sistema, mas de filmes singulares. Esses filmes que fazem a linguagem avançar. Ser crítico é bom. Posso dizer isso com toda certeza. É uma atividade que você não tem como largar nunca. Você tem que escrever sobre cinema a vida inteira e tem que experimentá-lo a vida toda.   

Miguel Pereira (Gbariela Azevedo)

Ao final do encontro, os professores abriram para perguntas da plateia. Para Ismail Xavier, a experiência com o cinema atualmente é feita individualmente e não coletivamente, como era nos cineclubes e cinematecas. O professor da USP, contudo, afirmou que hoje o acesso aos filmes é muito maior. Ele ainda expôs que a cultural artística só é constituída com o diálogo entre críticos e artistas.

Miguel Pereira alegou que o “academicismo” deve incorporar os críticos de filmes e artistas, que não passaram pela universidade, e, para isso, é necessário abolir o preconceito intelectual existente. O professor da PUC-Rio disse ainda que a análise cinematográfica pode se tornar uma ofensa a partir da linguagem utilizada no texto. Por isso, para ele, a polidez é essencial nesses momentos.

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