Necessidades Especiais no Século XXI
05/10/2018 12:59
Luana Vicentina

A II Reunião Anual do Instituto de Pesquisa Interdisciplinar em Neurociências e Cognição da PUC-Rio (INCog) levanta, nesta edição, a temática das Necessidades Especiais no Século XXI.

Professora Silvia Brilhante. Foto: Gabriela Azevedo.

O entendimento sobre aspectos biológicos e culturais e a integração entre Neurociências e Ciências Cognitivas foram as bases para os debates da II Reunião Anual do INCog, que ocorreu do dia 4 ao dia 5 de outubro, no auditório IAG. O encontro propiciou uma oportunidade para pesquisadores, professores e estudantes da área discutirem sobre o tema proposto.

Na abertura da programação, o coordenador do INCog, professor J. Landeira Fernandez, do Departamento de Psicologia, a vice-coordenadora, professora Cilene Rodrigues, e os professores Ludovic Soutif, Erica dos Santos Rodrigues e o Ralph Ings Bannell pontuaram as principais motivações da escolha do tema para o encontro. Pessoas com “necessidades especiais” e foco em linguagem, vantagens e desvantagens das “necessidades especiais” e até a discussão terminológica sobre o modo correto de referência às “necessidades especiais” nortearam a reunião.

Na palestra Linguagem e literacia: Entre neurociência e ciência da cultura, o professor José Morais, da Université Libre de Bruxelles, abordou a definição de literacia, uma expressão que não faz parte do dialeto brasileiro, mas pode ser traduzida como alfabetização, e como esse processo ocorre em pessoas portadoras de necessidades especiais. De acordo com Morais, a aquisição da leitura tem uma influência positiva no sistema visual.

Professor José Morais. Foto: Gabriela Azevedo.

O professou traçou um caminho entre a literacia e a democracia, Ele defendeu uma mudança no sistema educacional brasileiro, a partir do princípio de que a alfabetização pode ser usada como artifício de dominação política e preservação de privilégios.

— A relação entre democracia e literacia é complexa, a literacia pode ser utilizada como uma arma pelas elites. Nunca houve uma tendência em expandir a literacia, pois se nós a estendermos para as camadas populares, isso pode ajudar que mais pessoas intervenham no funcionamento político da sociedade.

A professora da UERJ Silvia Brilhante foi quem ministrou a segunda palestra do encontro, Dificuldades de leitura na dislexia e transtorno de linguagem. Ela esclareceu as diferenças entre transtorno de linguagem e dislexia e abordou a questão da consciência fonológica, memória fonológica e automatização seriada rápida.

Professora Silvia Brilhante. Foto: Gabriela Azevedo.

Silvia demonstrou a variação das habilidades de leitura entre a dislexia e o transtorno de linguagem. Na dislexia, o déficit de processamento fonológico está subjacente a dificuldade de leitura. Já no transtorno de linguagem, os problemas são provenientes dos aspectos semânticos, sintáticos e morfossintáticos do discurso.

— Diferentes fraquezas cognitivo-linguísticas nos dão a possibilidade de existirem leitores diferentes, com diferentes dificuldades de leitura e compreensão.

Do dia 15 ao dia 21 de outubro, ocorre a Semana da Dislexia, e a professora Silvia reforçou a importância de todos aderirem a causa da conscientização sobre as dificuldades pertinentes à essa condição, que atinge pelo menos 17% da população mundial.

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