A alma africana nas terras brasileiras
07/11/2018 10:58
Nicole Polo

O primeiro episódio da série Palmares: coração brasileiro, alma africana foi exibido na Universidade e contou com a participação dos diretores

Uma exibição especial do primeiro episódio da série Palmares: coração brasileiro, alma africana, ocorreu na segunda-feira, 5, na sala 102-K. A estreia do seriado será no dia 16, às 23h no Canal Curta. Após a sessão, os diretores Carlos Nobre, que é professor do Departamento de Comunicação da PUC-Rio, Luiz Arnaldo Martins e Jose Carlos Asbeg, e a diretora responsável pelas encenações, Célia Maracajá, debaterem sobre o capítulo exibido.
Carlos Nobre contou que já tinha o desejo de realizar uma série sobre o Quilombo Palmares, mas com uma perspectiva diferente do usual, há pelo menos uns dez anos. Segundo ele, a oportunidade surgiu quando um colega de faculdade se tornou diretor da TV Brasil, e o colocou em contato direto com o Jose Carlos Asbeg.  Nobre afirmou que as empresas tinham relutância em apoiar o projeto do seriado deles, e por isso resolveram recorrer à Ancine, que aceitou financiar o programa.
- Eu fiquei com a parte de pesquisa, claro, já que não sou cineasta. A partir de análises, dava dicas para eles de livros e de como pensar as ligações africanas. Eu ajudei também em alguns procedimentos estéticos. O seriado ficou pronto e isso proporciona uma felicidade muito grande por estarmos colaborando coletivamente para a sociedade.

Thaiane Vieira

Jose Carlos afirmou que pretendem transformar a série em um único filme para facilitar a exibição e a divulgação do material. Para ele, a exposição do seriado é complicada, mas os diretores querem levar o projeto ao circuito universitário e aos cineclubes que estão sendo criados. Ele apontou que a discussão e reflexão sobre esse aspecto da história brasileira é fundamental.  
Célia Maracajá explicou que havia uma presença indígena em Palmares, mas eles não eram maioria no povoado. Segundo ela, a existência de índios no quilombo proporcionou o encontro entre culturas diferentes. Essa reunião, para Célia, criou laços sociais fortes entre os povos e também possibilitou a concepção de descendência e parentesco com a região da qual são oriundos.

Célia Maracajá - Thaiane Vieira

Luiz Arnaldo comentou a dificuldade de contar a história sobre Palmares, por causa da falta de material que relate o funcionamento dele na perspectiva dos africanos. Conforme o diretor, eles buscaram se reconectar com a África e com os descendentes no Brasil para entender a trajetória do quilombo e que também procuraram historiadores reconhecidos que pesquisam o tema.
- Muitos traços das regiões dos antigos reinos do Congo e da Angola estavam presentes em indícios na construção de Palmares. A maioria dos escravos brasileiros eram majoritariamente oriundos dessas regiões. Então, fomos até esses locais e também à aldeia do povo kimbundo, um dos mais representados na escravatura de Pernambuco no século XVII. Fomos discutir com intelectuais africanos no Benin, na Angola e no Senegal de como eles veem essa vinculação África e Brasil. Eles veem Palmares como parte da própria história africana. Encontramos também um grande reconhecimento dessa história.

Thaiane Vieira

 

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