Inclusão, Diversidade e Desigualdade
21/11/2018 11:36
Nicole Polo

Estudiosos brasileiros e franceses da área da educação debatem inclusão da diversidade no sistema acadêmico e os desafios de enfrentar a desigualdade nas escolas

Foto: Gabriela Azevedo.

O Programa de Pós-Graduação em Educação da PUC-Rio (PPGE/PUC-Rio) e o Programa de Pós-Graduação em Educação do Campus do Pantanal da UFMS (PPGE/CPAN/UFMS) organizaram o Seminário Internacional Inclusão, Diversidade e Desigualdade na terça-feira,13, no auditório B6. No encontro, professores brasileiros e franceses expuseram pesquisas e análises sobre a inclusão da diversidade nas escolas e os desafios do combate à desigualdade no sistema escolar.

O professor Serge Ebersold, da Conservatoire National des Arts et Métiers (Conservatório Nacional de Artes e Profissões) apresentou a temática do financiamento e da implementação das políticas de inclusão educacional no cenário internacional. Ele afirmou que, na educação inclusiva, o sistema é visto como falho e, por isso, a modificação deve ocorrer na estrutura para atender as necessidades do aluno. É o contrário da educação especial, que considera o aluno como diferente e tenta adaptar o estudante ao processo educativo.

Ebersold declarou que a educação especial tem um financiamento compensatório, ou seja, a contribuição chega de acordo com a necessidade do aluno. Esse estilo, de acordo com ele, em vários países, diminuiu recurso da educação comum. O professor alegou que o financiamento de políticas inclusivas ocorre no sistema educacional como um todo, isto é, a escola, ao receber o repasse do governo, escolhe a maneira de investir.

- O princípio da educação inclusiva, na verdade, pensa também na disponibilização de uma quantia suplementar, que é direcionada ao estabelecimento escolar. A escola fica responsável por definir como que vai abordar as particularidades dos alunos com base nas suas políticas, nas suas estratégias de ensino.  A maioria dos países, na verdade, instaurou um dispositivo para apoiar os alunos que apresentem qualquer tipo de dificuldade, como deficiência, falta de recurso financeiro, inteligência superior à média, ou vindos de comunidades ciganas. Dessa forma, o financiamento não se limitaria a uma especificidade só.

Professora Flávia Faissal. Foto: Gabriela Azevedo.

A políticas de educação da agenda internacional aos paradoxos brasileiros foi apresentada pela professora Flávia Faissal, da FEBF/UERJ. Ela afirmou que o sistema de inclusão da ONU considera a educação fundamental para o desenvolvimento humano, além de que o acesso à educação deve ser público, gratuito e abrangente. Segundo ela, há uma crença que a tecnologia vai resolver todos os problemas de inserção dos deficientes nas escolas. Contudo, ela declarou que a tecnologia desvinculada de um apoio pedagógico não tem êxito.  

A professora Rosana Heringer, da UFRJ, abordou o balanço e os desafios das políticas de democratização do Ensino Superior. Ela relembrou que, na década de 1990, começaram as reivindicações de um ingresso na faculdade mais inclusivo. O propulsor dessas demandas, no Brasil, foi o Movimento Negro, segundo a professora. Rosana declarou que as políticas afirmativas – as cotas- ampliaram o acesso às universidades, mas ainda há desafios.

- Tem uma dimensão bastante complexa que temos nos aprofundado agora, a questão da permanência. Procuramos diferenciar a permanência e a assistência estudantil. Nas universidades federais, temos nos deparado com uma demanda crescente de estudantes por uma dimensão da permanência, a questão financeira. Se você não tem o mínimo para se deslocar, para se alimentar, ou para comprar material (xerox e outros) é muito difícil se manter na universidade mesmo ela sendo gratuita ou mesmo tendo bolsa. Nos identificamos que existem outras dimensões dessa permanência e temos buscado explorá-las. 

 

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