Time de solidários
10/07/2020 18:36
Nathalie Hanna Georges

Estudantes de diferentes universidades se unem com clube de futebol para realizar uma ação social

Ponto de coleta dos agasalhos na sede do Fluminense F.C., em Laranjeiras. Foto: Acervo Pessoal

Com a chegada do inverno, muitos moradores em situação de rua não têm como se prevenir contra o frio. Atentos a estas circunstâncias, um grupo de nove jovens universitários, com ajuda oficial do Fluminense F.C., planejaram a campanha Paixão que aquece, com o objetivo de arrecadar agasalhos. De acordo com os organizadores, as entregas são feitas na sede do time de futebol, em Laranjeiras, e a ação ocorrerá até o dia 21 de julho, data simbólica por ser o dia do aniversário do clube. 

 

A iniciativa surgiu por meio da instituição, com a ideia de fazer um projeto social 100% liderado por jovens. Aluno de direito da PUC-Rio, Enzo Curado, de 20 anos, conta que a equipe é formada por pessoas de cursos distintos e isto facilita o desenvolvimento do trabalho. O time de jovens, destaca Curado, já queria arrecadar doações quando a oportunidade apareceu de forma inusitada para eles.


–  O Fluminense queria fazer essa ação e nós, por termos contato com as pessoas do clube, soubemos disso e foi um casamento. Já tínhamos uma ideia de fazer algo parecido e acabou sendo a oportunidade perfeita. Todos nós somos amigos e parceiros de Maracanã, temos uma sintonia muito boa. A equipe é formada por pessoas de vários ramos, com visões diferentes, e isso enriquece o trabalho. Nós temos feito um serviço organizado como um time e todo mundo se ajuda.

 

Desde o slogan até os mínimos detalhes, a preparação que os torcedores tiveram para montar a campanha durou três semanas. Eles encararam a autonomia de liderança com reuniões semanais realizadas on-line e todos os tipos de estudos sobre projetos e redes sociais. A estudante de publicidade da PUC-Rio Isadora Monteiro, de 20 anos, diz que estes fatores foram essenciais para eles se organizarem e terem o brainstorming que necessitavam para complementar a proposta.

 

 

– Nós estamos aprendendo muito com esta ação. Foram semanas de bastante trabalho, e isso ainda continua porque ter engajamento é necessário. Desde que fomos recrutados, nós tínhamos a consciência de que não podíamos demorar muito, visto que a distribuição dos agasalhos deve ser feita o mais rápido possível por estarmos no inverno. Apesar de sermos tricolores, nós também estamos convocando pessoas que torcem para outros times. É super importante não existir clubismo, porque esta arrecadação é para um bem maior, e o que importa agora é a solidariedade.

Os organizadores da campanha Isadora Monteiro, Isabella Klajnman e Enzo Curado, respectivamente. Foto: Acervo Pessoal


Mesmo em período de isolamento social por causa da pandemia do novo coronavírus, a aluna de psicologia da UFRRJ Isabela Rotstein, de 20 anos, explica que as medidas de segurança serão devidamente tomadas. Ela afirma que a situação não pode ser ignorada, e tudo será feito com todo o cuidado possível, com o uso higiênico na hora da coleta e da distribuição.


– Nós levamos o cenário atual muito a sério desde o início, uma das principais questões para a gente é operacionalizar esta campanha seguindo as normas de segurança por conta da Covid-19. O uso de máscaras e a regra de distanciamento social são obrigatórios na hora das doações feitas no clube do Fluminense, e essas mesmas regras serão aplicadas na entrega dos agasalhos  – ressalta.

 

A estudante de Medicina da UERJ Juliana Poggi, de 20 anos, relata que é muito gratificante fazer parte de uma obra como esta. Juliana frisa que atos solidários são particularmente significativos para ela, e a contribuição que o grupo e o Fluminense fazem é satisfatório. O propósito da futura médica é ver um resultado positivo com as contribuições e poder ajudar a maior quantidade de indivíduos.

 

– Fico satisfeita por poder fazer um uso tão bom do meu tempo útil na quarentena. Ações solidárias sempre foram importantes para mim, faz sentido que neste momento eu esteja envolvida. O que eu mais desejo é que a campanha seja um grande sucesso, e que possamos conseguir muitas doações, que serão bem aproveitadas por várias pessoas.

A torcedora Juliana Poggi no Maracanã. Foto: Acervo Pessoal

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