Opção ágil e econômica para a leitura
10/03/2021 18:16
Giovanna De Luca

Ex-aluna da PUC-RIO investe na compra e venda de livros e cria um sebo on-line

Em meio à migração dos sebos de rua para a internet, o Sebolinha, Livros e Revistas tem feito nome. O projeto surgiu a partir de uma sugestão da mãe da proprietária do sebo. Formada em Comunicação pela PUC-Rio, a jornalista Lais Fernandes se empolgou tanto com a ideia que homenageou a mãe ao batizar o negócio: assim como o personagem dos quadrinhos de Maurício de Souza, a matriarca da família Fernandes fala “elado".

O sebo on-line existe há oito anos e é uma aposta do relacionamento de Lais com o marido, Renato Ligran. Hoje, o “Sebolinha” reúne cinco mil livros catalogados - alguns novos e outros usados. Romance internacional e literatura estrangeira são os mais procurados.

- Desde que a gente começou a namorar, há  dez anos, o Renato sempre falou que queria abrir uma livraria, mas a gente nunca teve dinheiro. Me recordo do dia em que eu cheguei em casa super desgastada do trabalho na Rádio Globo e disse para ele que precisava fazer algo diferente na minha vida e ouvi a voz da minha mãe saindo da cozinha: Por que vocês não montam um sebo? Em um mês, a gente tinha um acervo de 300 livros que haviam sido doados por amigos e colegas.  

Nesse último ano, a dupla vem colhendo os frutos de ter investido no on-line. Em 2020, foram 1.490 pacotes enviados, que podem conter mais de um livro. Já em 2021, apenas em janeiro e fevereiro, foram mais de 300 encomendas. A maior parte dos clientes tem entre 24 e 35 anos, muitos de cidades pequenas do Norte e Nordeste.  

 - Meus clientes mais fiéis são os mais velhos e os que moram longe. O mais legal de atender um público de mais idade é que eles já têm costume de comprar livros usados e de ir até sebos de rua, mas hoje é o sebo que vai até eles por meio da internet.

Para facilitar a busca do leitor no acervo digital, foi elaborada uma planilha na qual cada livro é representado por um número. Nela contém o autor; o nome da obra; a editora; a categoria; a discrição, que indica o estado do livro e o preço, que pode variar de R$ 6,00 a R$ 250,00. Devido à grande rotatividade, o casal  repõe constantemente as obras, seja por meio de doações ou por compras em instituições de caridade. Lais conta que, ao adquirir estoques desta forma, consegue fazer um bom negócio e ainda ajudar a quem precisa.

Com uma conta no Instagram que já ultrapassou a marca de 15 mil seguidores o “Sebolinha” atribui a ascensão ao mundo virtual. A empreendedora de 30 anos relembra que antes da pandemia de Covid-19 já havia participado de algumas feiras na Zona Sul da cidade, como, por exemplo, a Babilônia Feira Hype, mas a prioridade sempre foi o modelo virtual.

O fato de ter montado um negócio próprio, no entanto, não afastou completamente Lais da área de Comunicação Social. Durante muito tempo ela se questionou sobre sua graduação, mas hoje garante que fez a escolha certa e usa o que aprendeu no curso para inovar no mercado de compra e venda de livros usados.  

- Apesar de ainda atuar como freelancer em sites de notícias, eu não acho que nasci para o jornalismo em si, mas sim para a comunicação em geral. O trabalho que eu faço de pesquisa para criação de conteúdo no Instagram do sebo é um exemplo de como eu uso o que aprendi na faculdade ao meu favor.

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