Conhecimento sem fronteiras
24/05/2021 22:01
Victória Reis

Intercambistas contam como é estudar no Brasil, mesmo de longe, durante a pandemia de Covid-19

Estudantes compartilham as experiências de aulas on-line em outro país

Para um aluno estrangeiro que busca no Brasil a possibilidade de enriquecimento cultural e troca de conhecimentos, um obstáculo foi imposto desde 2020: a pandemia de Covid-19. Se adaptar a uma nova realidade de estudos virtuais não é uma tarefa fácil para qualquer estudante, e mais difícil ainda para quem está a quilômetros de distância.

Com a mestranda, Maria Requixa, de 24 anos, não foi diferente. Ela é aluna do Mestrado em Ciências da Comunicação da Universidade Católica Portuguesa (UCP), mora em Lisboa, e sempre teve o desejo de estudar na PUC-Rio. Por isso, se candidatou no ano passado para frequentar as aulas a partir de setembro deste ano, mas a imprevisibilidade da pandemia mudou os planos da jovem.

- Havendo a alternativa do intercâmbio on-line no semestre seguinte, e sendo esta a última oportunidade possível para mim, porque estou na fase final do mestrado, decidi adaptar-me e arriscar. Escolhi como tema de dissertação a comunicação digital como veículo de superação no cenário musical brasileiro em tempos de pandemia. Estou aproveitando cada segundo desta aprendizagem neste formato que tem tanto de “pouco brasileiro”, infelizmente. Mas tem sido desafiante.  

Frequentar aulas de uma instituição de outro país sem ter contato pessoalmente com o dia-a-dia do lugar, é, sem dúvida, uma experiência fora do comum e que desvia do princípio de um intercâmbio. Para a inglesa Avy Toth, de 21 anos, aluna do curso de estudos latino-americanos, na Universidade Leeds, é imposta a obrigatoriedade de morar em outro país que fale a língua portuguesa. Inicialmente, ela cogitou estudar no Brasil e queria cursar dois semestres na PUC-Rio, mas por conta da incerteza da pandemia, optou por morar em Portugal e fazer um semestre de aulas de forma remota na Universidade.  

- O aspecto mais difícil para mim é entender bem todas as aulas e as leituras. Se eu estivesse no Brasil, teria a oportunidade de encontrar outros estudantes que poderiam me ajudar um pouquinho, porque sou a única estudante estrangeira nas aulas. E também se estivesse morando no Rio, o meu domínio da língua teria melhorado.

Apesar dos desafios, a chance de estudar na PUC-Rio, mesmo de longe, tem pontos positivos para Mónica Ferreira, de 23 anos, aluna de Marketing e Publicidade, na Faculdade de Design, Tecnologia e Comunicação da Universidade Europeia (IADE). Segundo a portuguesa, a primeira opção era ter realizado o Erasmus presencial, mas a chance de outros tipos de conhecimentos, contato com professores, colegas e novas matérias, não poderia ser deixada de lado.

- A diferença para Portugal no início do semestre era de três horas, e, agora, como mudamos para o horário de verão, são quatro horas. Mesmo assim, consigo ter um horário muito bom a meu ver. Não perturba nada relativamente as aulas, só é complicado às vezes para tentar marcar uma hora para reunir com os grupos, porque querem reunir normalmente à noite e, aqui, já fica muito tarde.

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