Perplexidade, sinal de alerta e de esperança.
02/06/2021 08:41
Lorena Teixeira e Luanna Lino

O equilíbrio do planeta em tempo de pandemia foi um dos pontos de reflexão no primeiro dia da XXVII Semana de Meio Ambiente

A ética socioambiental nas universidades em tempos de pandemia foi o tema da XXVII Semana do Meio Ambiente da PUC-Rio, que teve a participação, por videoconferência, do Arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Dom Orani João Tempesta O.Cist. Grão Chanceler da Universidade, Dom Orani ressaltou na abertura do encontro a importância de o homem cuidar não só do próximo como também da Terra para garantir qualidade de vida para todos.

- Nós temos muitas atividades, ONGs que trabalham para o meio ambiente, pelas várias causas e ideologias, mas, no nosso caso, por sermos cristãos, por sermos filhos de Deus, irmãos entre nós, somos corresponsáveis pelos outros. Nos preocupamos pela vida do outro, pelo bem-estar, dignidade e também pela casa onde vivemos, neste planeta, que por enquanto não existe nenhum outro que possamos mudar e melhorar. É este mesmo que temos que tomar conta para ser um planeta saudável no futuro.

Cardeal Dom Orani João Tempesta O.Cist. Grão Chanceler da Universidade

Segundo o diretor do Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente da PUC-Rio (Nima), professor Luiz Felipe Guanaes, a intenção da semana é expressar o compromisso da Universidade com a solução dos problemas ambientais do planeta na pandemia e o respeito que a instituição tem com as perdas que o país sofreu durante este período.

Professor Luiz Felipe Guanaes, diretor do Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente da PUC-Rio (Nima)

O Reitor da PUC-Rio, padre Josafá Carlos de Siqueira S.J.  elencou três razões que justificam organizar a Semana de Meio Ambiente durante a pandemia que, segundo ele, arrasta milhares de pessoas para a doença e já ceifou muitas vidas: a perplexidade, o sinal de alerta e o sinal de esperança. Ele comentou, também, que é preciso preservar os direitos humanos e o direito da criação, que o Papa Francisco aborda na encícilica Laudato Sí’.

- A perplexidade é porque temos a consciência de que patógenos, como o coronavírus, são frutos de rupturas do homem com a criação e com a própria natureza. O sinal de alerta é importante para mudarmos os nossos hábitos, ou pagaremos o preço de nossas ambições, e devemos evitar que no futuro possam surgir muito mais problemas que os de agora. E o terceiro ponto é o sinal de esperança, no momento da pandemia, nós, como humanistas e cristãos, devemos alimentar essa virtude, pois temos desejos de dias melhores e de não retroceder os avanços em relação a tudo aquilo que a sociedade avançou em termos do meio ambiente.

Padre Josafá comentou sobre os desafios acadêmicos que a Universidade vem enfrentando por causa da pandemia da Covid-19, ele afirmou que é necessário intensificar o diálogo entre os diferentes campos científicos da PUC-Rio, e observou que posturas individualistas devem ser repensadas. Segundo ele, é necessário construir um novo tipo de humanismo, com uma visão mais sistêmica e, para que isso seja possível, é preciso que  haja uma maior interatividade entre as ciências humanas, sociais e tecnológicas.

Reitor da PUC-Rio, padre Josafá Carlos de Siqueira S.J

Ao abordar os desafios socioambientais, o Reitor reforçou a ideia de pensar  modelos sustentáveis e tentar minimizar as mudanças climáticas. Ele disse que o campus pode colaborar para ajudar a equilibrar o meio ambiente e lembrou que a PUC-Rio foi a primeira instituição do país a criar uma agenda ambiental institucional. Ele ressaltou a importância de analisar os projetos socioambientais, principalmente no período pós-pandemia.

- É preciso avaliar as ações, ver o que funcionou ou não, o que precisa mudar e que pode continuar - concluiu.

O primeiro dia da Semana de Meio Ambiente também teve a participação de Pier Sandro Cocconcelli, integrante da Strategic Alliance of Catholic Research Universities (SACRU), do Decano do Centro Técnico Científico (CTC)professor Sidnei Paciornik, e do decano do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS), o professor Hilton Koch.

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