Dignidade humana: direitos fundamentais
09/06/2021 13:45
Lorena Teixeira e Luanna Lino

Debates no primeiro dia da Semana dos Direitos Humanos foram sobre a necessidade do diálogo

A quarta semana dos direitos humanos da PUC- Rio ocorreu no dia 24 de maio, por videoconferência, e teve como objetivo abordar o diálogo. O Vice-Reitor Geral da PUC-Rio, padre Anderson Antonio Pedroso, S.J., fez a palestra de abertura. Ele separou o discurso em três aspectos: histórico, identidade e missão. Para isto, fez um pequeno relato sobre como as nações elaboraram estatutos sobre os Direitos Humanos e depois relacionou o assunto com a missão das universidades católicas.

Vice-Reitor Geral da PUC-Rio, padre Anderson Antonio Pedroso, S.J.

Segundo padre Anderson, depois enfrentar uma série de guerras, as nações se reuniram para poder estabelecer o reconhecimento de um princípio: a de que todos os seres humanos possuem direitos fundamentais. E, de tempos em tempos, a Organização das Nações Unidas (ONU) repensa a Declaração dos Direitos Humanos. O Vice-Reitor Geral citou alguns momentos históricos, de reinterpretações feitas para o documento, como, por exemplo, em 1968, quando alguns países se encontravam sob regimes ditatoriais, que violavam os direitos dos cidadãos.

- A experiência das guerras, durante o século XX, mostrou à sociedade civil e à Igreja Católica a necessidade de se ter uma consciência maior do que significa a paz e que ela depende da garantia da dignidade humana da qual os direitos humanos são a base. A dignidade humana se fundamenta nos direitos fundamentais da pessoa humana.

Ao abordar o segundo ponto, ele apontou a relação da universidade católica com os direitos humanos. Segundo ele, a instituição tem o dever de mostrar a sua identidade e dos próprios direitos humanos, pois é um lugar que mistura motivações filosóficas civis com as motivações religiosas espirituais cristãs e, assim, promover o diálogo entre as pessoas. Padre Anderson comentou, também, que a tradição católica contém recursos intelectuais para se envolver com temas multiculturais existentes nos direitos humanos universais, mas não deve colocar os seus preceitos de maneira impositiva. No final da palestra, ele ainda comentou sobre a missão da universidade católica conduzida por jesuítas.

- A missão da universidade católica conduzida pelos ideais da Companhia de Jesus é, primeiramente, explicitar a toda comunidade universitária, principalmente os alunos, o conhecimento dos Direitos Humanos, conhecimento claro, histórico, filosófico e teológico. A segunda missão é que a educação oferecida tenha uma base, um braço de solidariedade social socioambiental. E a última missão envolve os professores e pesquisadores, que dever ser capacitados para realizar pesquisas colaborativas que expressem a universalidade que buscamos.

Diálogo e o povo

Coordenador da Pastoral Universitária Anchieta, padre José Abel de Souza, S.J., participou do segundo debate, mediado pelo cogestor do Setor Espiritualidade da Pastoral Universitária, Walmyr Gonçalves. O tema foi Diálogo para a construção do bem comum e padre Abel trabalhou em cima das diversas perspectivas do diálogo e como o diálogo se encaixa na construção do bem comum.

Cogestor do Setor Espiritualidade da Pastoral Universitária, Walmyr Gonçalves

O Coordenador da Pastoral comentou que a Campanha de Fraternidade, da Igreja Católica, e outras igrejas cristãs, têm seu lema voltado na ideia de tudo o que era dividido tornou-se uma unidade. Para padre Abel, o diálogo é o único meio de unir a Igreja e o povo. Ele relatou que o diálogo desenvolve tolerância e que é necessário ouvir para dialogar, mas para que isto seja possível, é necessário amorosidade. Segundo ele, é necessário fazer perguntas, pois, a partir delas é possível crescer e mudar de opinião.

- Mudar de opinião significa que você não é uma pessoa fechada, significa que você se abre ao outro e se enriquece em dados que não tinha antes, mas que passa a ter.

Coordenador da Pastoral Universitária Anchieta, padre José Abel de Souza, S.J.

Ao continuar sua fala, o padre declarou que não concorda com a ideia de que a educação é uma transferência do saber do professor para o aluno, e disse não gostar da palavra aluno, pois sua origem remete a alguém sem conhecimento, que não tem o que agregar. Afirmou que a educação deveria ser um encontro de interlocutores, e citou uma frase de Paulo Freire: "A educação não muda o mundo, ela muda pessoas que se esforçam para mudar o mundo”

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