Diálogo e reconstrução em tempos de pandemia
30/09/2021 14:14
Carolina Smolentzov e Lorena Teixeira

Centro Loyola promove a celebração de Sucot e faz homenagem à professora Vera Hazan

O Centro Loyola de Fé e Cultura PUC-Rio e o Diálogo Católico-Judaico realizaram, no dia 24 de setembro, uma celebração de Sucot e uma homenagem à professora de arquitetura Vera Hazan(1967-2021). O encontro contou com a presença do Vice-Reitor Geral da PUC-Rio e Diretor do Centro Loyola; padre Anderson Antonio Pedroso, S.J., e de dois integrantes do Diálogo Católico-Judaico, padre Carlos Davis e Hélio Koifman e foi transmitido pela plataforma YouTube. A coordenadora do diálogo inter-religioso e interétnico, Ana Luiza Grillo Balassiano, deu início à celebração com uma explicação sobre a Sucot.

- Sucot é um lugar de acolhimento, trocas e diálogo com o outro, que mostra a fragilidade da vida, mas, também, a conexão com o indivíduo que nos ampara e nos suporta. Cada ano, uma nova montagem e experiências na celebração do Sucot, este ano não foi diferente. Ano passado, o diferente foi mantermos a tradição em tempos de pandemia. Em 2020, nos reinventamos para criar um ambiente virtual e acolhedor, como a nossa Sucá, na PUC- Rio, projeto do escritório modelo da Universidade, coordenado pela querida Vera Hazan.

A cerimônia de Sucot é conhecida como festa das cabanas, dos tabernáculos e, ainda, da colheita, por coincidir com o fim da colheita nos países do hemisfério norte. É um momento de agradecimento com origem na peregrinação dos judeus pelo deserto durante 40 anos em busca da Terra Santa. O rabino Sergio Margulies explicou que a Sucot é o diálogo interno com a consolidação dos propósitos para que as pessoas tenham atenção com elas próprias; e ainda comentou que é o diálogo com a natureza, por meio do qual exerce o agradecimento.

Participantes da cerimônia

O Vice-Reitor Geral da PUC-Rio, padre Anderson Antonio Pedroso, S.J., falou que o Centro Loyola tem o objetivo de servir com uma casa aberta para todos. Segundo ele, a pandemia colocou em evidência a fragilidade humana diante da natureza e por este motivo a festa se torna mais significativa. O padre fez um paralelo entre a festa do Sucot e o trabalho desenvolvido pela professora Vera Hazan na Universidade e assinalou que ela deixa um legado.

- Eu acredito que o Sucot é símbolo e marca de maneira emblemática o caminho que nós podemos retomar. A pandemia nos fez parar um pouco, mas agora estamos voltando com mais humildade e solidariedade entre nós. Eu quero dizer à família da Vera que se sinta sempre acolhida, e que o legado dela será honrado. Ela deixa um legado de um exercício da reconstrução, assim como a Sucá foi construída e é reconstruída, nós também somos convidados a nos reconstruir.

Vice-Reitor Geral da PUC-Rio, padre Anderson Antonio Pedroso, S.J.

Vera Hazan

Vera Magiano Hazan era professora do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da PUC-Rio e Supervisora do Escritório Modelo (EMAU/DAU). Junto aos alunos do EMAU, ela foi responsável pelo projeto da Sucá, montada todos os anos na Universidade. Ela morreu em julho deste ano, no dia em que se celebrava pela primeira vez o dia nacional da arquiteta e urbanista. Durante a cerimônia do Sucot,  pessoas da comunidade PUC-Rio, a família e amigos homenagearam Vera.

Vera Magiano Hazan

Graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Santa Úrsula e em Comunicação Social pela PUC-Rio, Vera participou de órgãos como o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU-RJ), o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RJ) e da organização do Congresso Brasileiro de Arquitetos do Rio. Ela era mestre em Planejamento Urbano e Regional e Doutora em Urbanismo pela UFRJ. Como docente e pesquisadora PUC-Rio, desenvolveu estudos sobre arte, migrações, mobilidade, acessibilidade e desenho urbano. Sua carreira foi reconhecida com  prêmios em diversas áreas da arquitetura, urbanismo e design. Alunos orientados por ela receberam o prêmio Arquiteto do Amanhã. Vera também estava à frente de projetos como a Estação Avançada de Pesquisa de Fernando de Noronha da Marinha do Brasil e o novo auditório da PUC-Rio.

Assistente social da Vice-Reitoria Comunitária da PUC-Rio, Andréa Paiva, lembrou a presença de Vera nos grupos de trabalho dentro da Universidade como uma encarnação da espiritualidade. Ela destacou que a ação da professora era marcada pelo atendimento e acolhimento de populações vulneráveis.

- Todos nós tivemos este prazer de poder compartilhar a vida com ela. A Vera como professora e mulher, pensando a arquitetura de uma maneira humanizada, é um exemplo para todos nós e para a Universidade. E por isso nós queremos celebrar e agradecer, que hoje temos a alegria de ter a nossa vida impactada pela presença da Vera. Ela é uma pessoa que sempre dialogou com as diferenças, de uma maneira firme do ponto de vista acadêmico, mas ensinando para os alunos que é muito possível, no dia a dia, alinhar a competência profissional com o compromisso com a sua cidade, seu estado e seu país.

Recentemente, Vera também estava envolvida em questões sociais e trabalhos para melhorias na comunidade, por meio da Arquitetura Humanitária. A família da arquiteta participou do encontro e compartilhou algumas reflexões sobre a vida da professora. Marido de Vera, Adalton da Motta Mendonça, relembrou as preocupações que ela tinha com pessoas em situação de vulnerabilidade, como os migrantes e nômades. Segundo Mendonça, ela se voltou muito para pensar na importância de criar soluções relâmpago para melhorar a vida de pessoas atingidas por guerras, catástrofes, crises econômicas e políticas.

- Eu penso muito na transitoriedade da vida, nesta vida que passa muito rápido, como um sopro - como diz a Torá, e como diz mais recentemente Oscar Niemeyer. A Vera fez deste sopro uma vida muito produtiva, muito útil às pessoas. Tenho certeza que, de onde quer que ela esteja, recebeu novas missões, novos trabalhos, e novas questões a resolver.

Adalton da Motta Mendonça

Durante a celebração, alunas fizeram ainda uma breve homenagem à professora. Elas relembraram o impacto que Vera teve não só na formação acadêmica, mas, principalmente, nas paixões, na vontade de inovar e no que ela trouxe para a vida dos alunos. Aluna de arquitetura e estagiária do Escritório Modelo, Julia de Queiroz comentou que Vera era uma referência para os que tinham contato com ela.

- Eu não sei como vai ser terminar a faculdade sem a Vera. Ela era um guia para a gente. A todo momento que estamos fazendo TCC, algum trabalho, algum projeto, pensamos como ela pensaria, como ela estaria inovando e olhando para o outro. E eu acho que mais eterna do que qualquer projeto ou texto, ela vai ser eterna no que ela trouxe para cada um de nós.

Também ex-aluna de Vera, Bianca Naylor ressaltou a capacidade da professora de estimular o processo criativo dos estudantes e, por outro lado, de ter um olhar para as questões pessoais de cada um. 

- Ela tinha muito carinho pela gente, sempre tirava o melhor de cada aluno, sempre incentivava o aluno a buscar a sua paixão. Empurrava a gente para tirar o melhor de tudo que a gente colocava no coração. É uma gratidão que não tem como colocar em palavras, e um carinho que vamos levar no nosso coração para sempre.

Sucá na PUC-Rio

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