Troca de experiências entre países irmãos
19/05/2022 16:41
Gabriel Meirelles e Vitória Barreto

Representantes do gabinete da primeira-dama de Angola conhecem a PUC-Rio e estudam projetos sociais para aplicar no país africano

Delegação angolana visita Rocinha/ Foto:Arquivo Pessoal 

Uma delegação angolana de sete mulheres visitou a PUC-Rio na semana do dia 9 de maio, com o objetivo de aprofundar o conhecimento na área de serviço social. A maioria delas trabalha no gabinete da primeira dama do país, Ana Afonso Dias Lourenço, que atua junto a projetos ligados ao desenvolvimento comunitário de crianças e jovens. A coordenadora de extensão do Departamento de Serviço Social, professora Nilza Rogéria de Andrade Nunes, foi a responsável por recebê-las na Universidade para um período de trocas de experiência entre Brasil e Angola.

 

A relação entre os dois países é de longa data: o Brasil foi a primeira nação a reconhecer a independência angolana. Segundo a professora e a delegação, as realidades dos povos são igualmente parecidas, sobretudo no domínio social. Na opinião da responsável pela delegação, Ana Luiza Carvalho, há mais semelhanças que diferenças entre os dois lugares, como o histórico de colonização portuguesa e o idioma. Ana Luiza considera o Brasil um país-irmão em todos os níveis.

Delegação no consulado angolano/ Foto: Arquivo Pessoal 

Durante a visita, as assistentes sociais foram ao consulado de Angola. Outra atividade realizada pelo grupo foi uma visita à Rocinha. Consultora de políticas do Gabinete de Quadros do Presidente da República, Erika de Carvalho, observou que, assim como o seu país, o bairro apresenta algumas condições similares e pode ser visto como modelo para projetos sociais na África. Para Erika, o saneamento básico é um pilar social, pois sem qualidade neste serviço, ocorre o aumento de doenças e, por consequência, mortes. Além disto, na análise da assistente social, a Rocinha apresenta uma estrutura de serviços e comércio de qualidade.

 

— A Rocinha tem supermercado, farmácia, serviço de saúde. Na nossa realidade, isto não está dentro da comunidade. O cidadão (angolano), muitas vezes, está doente, precisa de serviços e cuidados de saúde, mas ele não sai da comunidade porque não está educado para procurar um médico. Ele se automedica, tenta fazer o tratamento caseiro, mas as coisas não resultam. Muitas vezes, ele vai para o hospital já quando não tem solução, e sobre este ponto de vista, a Rocinha já está organizada.

Ana Luiza Carvalho e Erika de Carvalho/Foto:Jorge Paulo Araujo 

O objetivo das representantes de conhecer a PUC-Rio era de aprimorar as noções práticas na área de programas sociais. Segundo Ana Luiza, a delegação tem dificuldade em tirar do papel os projetos e em avaliar os resultados da ação. A jornalista afirmou que a Universidade carioca é uma instituição de referência no Brasil. E por isto, elas estiveram no campus para aprender e definir quais seriam as melhores práticas sociais para a Angola.

 

– O Serviço Social é o berço da Universidade Católica do Rio de Janeiro, nós achamos que seria de fato uma instituição que iria responder aos nossos critérios de credibilidade, de boas práticas. Daí esta vinda para conhecer de fato e aprender um pouquinho e partilhar convosco.

 

Erika conta que a maioria dos projetos sociais da primeira dama de Angola são voltados para crianças, meninas e desenvolvimento comunitário. No momento, o projeto que se destaca é o Educar para a Cidadania, direcionado a crianças com problemas de saúde mental e necessidades especiais, principalmente o autismo. No entanto, para a professora de relações internacionais, há uma carência de profissionais angolanos na área de saúde, em especial, a psicopediatria. Para ela, esta seria uma importante troca de aprendizado com o próximo grupo que, no futuro, possa visitar a PUC-Rio para estudar mais planos sobre desenvolvimento social.

 

– Aqui já se vê uma oportunidade para um próximo grupo, para uma próxima troca de experiências, principalmente naquilo que são os educadores sociais e estes atores que trabalham diretamente com as comunidades. Mas, para nós, é todo um processo de aprendizagem. Acho que este é só o primeiro contato, como já referi, porque ainda há muito a ser explorado nesta relação que agora se inicia com a PUC-Rio.

 

A professora Nilza Rogéria destacou que esta visita foi uma cooperação técnica importante entre Brasil e Angola. Ela considera a parceria como uma relação de igualdade e espera desenvolver um estudo sobre trajetórias femininas em países lusófonos. Na opinião de Nilza, a vinda da delegação angolana é um ganho para a PUC-Rio, que pode se aproximar ainda mais de países do continente africano.

 

— Nós temos uma predominância muito grande dos países no contexto norte-americano e europeu. Eu acho muito importante que nós possamos ter uma aproximação com países, principalmente com países co-irmãos, de língua portuguesa.

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