Celebração de experiências midiáticas
08/07/2022 16:45
Carolina Smolentzov, Luanna Lino e Victória Reis

PUC-Rio recebe, pela primeira vez, presencialmente a conferência da Associação de Ecologia das Mídias

Abertura Convenção Media Ecology Association (Foto: Luanna Lino)

Em um mundo pós-pandêmico, entender e estudar as mídias têm papel fundamental para compreender as mudanças que a modernidade traz. Realizada pela primeira vez de forma presencial na PUC-Rio, a 23ª edição da convenção Media Ecology Association (Associação de Ecologia das Mídias - MEA) acontece do dia 7 a 10 de julho no campus da Universidade. No ano passado, a PUC-Rio recebeu a convenção de forma remota e foi pioneira no Hemisfério Sul, já que foi a única universidade anfitriã do congresso.

Na abertura, o Vice-Reitor para Assuntos Acadêmicos, professor José Ricardo Bergmann, o diretor do Departamento de Filosofia, professor Luiz Camillo Osorio, e a professora Giselle Ferreira, do Departamento de Educação, agradeceram a oportunidade de sediar o evento no campus. A presidente do MEA, professora Adriana Braga, do Departamento de Comunicação, abriu o primeiro dia do evento e compartilhou memórias enquanto ecologista das mídias no Brasil. 

 

Giselle Ferreira, José Ricardo Bergmann, Luiz Camillo, Mike Plugh (Foto: Luanna Lino)

- Estou convencida de que a ecologia das mídias tem papel fundamental a desempenhar no momento que agora nos confronta e sacode a própria terra sob nossos pés. É importante difundir a perspectiva de uma ecologia midiática humanista, eclética e aberta, porque ela opera como um antiespaço acadêmico e contrapeso necessário. Tratar a ciência como uma conquista coletiva e a discussão acadêmica como um caminho para a sabedoria não é apenas uma divergência, mas uma prática verdadeiramente subversiva. Tenho muito orgulho de fazer parte desse movimento e contribuir para esse momento da história – pontuou.

A professora explicou que, embora no Brasil o paradigma dominante seja de que estudiosos da comunicação se apropriem deste tema, outras áreas podem oferecer visões diferentes da ecologia das mídias. Ela citou como exemplo a conferência do ano passado, que ocorreu via Zoom e teve painéis dos departamentos de Teologia e Filosofia. Adriana contou que um problema de má interpretação faz com que, por vezes, as pessoas não entendam o que de fato é a ecologia das mídias, e que, por muito tempo, o assunto não foi abordado propriamente no Brasil.

- Quando falamos sobre ecologia das mídias, falamos sobre tudo, mas aqui no Brasil, há um certo uso incorreto do termo, somente para caracterizar o grupo das mídias de comunicação, como rádio, TV e internet, mas não é apenas isso. Meu foco é expandir essa visão para atrair essas pessoas para mais discussões sobre o tema, porque é um debate multidisciplinar e ilimitado. Temos muito trabalho a fazer para padronizar esse núcleo de abordagem teórica para que possamos falar a mesma língua em relação a Ecologia das Mídias - afirmou.

Uma particularidade do evento é reunir não só pesquisadores, mas também artistas e profissionais. Isso faz com que a conferência tenha impactos para além do mundo acadêmico. Nesta edição, além de exposições de arte, a multiartista Tiffany Shlain, indicada ao Emmy norte-americano, também está presente. Para Adriana, o objetivo é atingir a sociedade como um todo e estimular uma visão ampla do mundo.

- Neste momento, com a ação das mídias explícitas e do que os algoritmos estão fazendo, é especialmente mais fácil ensinar e entender a ecologia das mídias, porque a realidade está nos mostrando tudo que McLuhan previu lá atrás. Nós somos testemunhas desse momento histórico. A ecologia das mídias é um saber importante para qualquer pessoa, porque você muda o jeito de ver o mundo e entende que tudo é articulado - ressaltou.

Adriana Braga (Foto: Luanna Lino)

Por muito tempo, a ecologia das mídias não era estudada no Brasil. Segundo a professora, as ideias de Marshall McLuhan foram recebidas com ceticismo e hostilidade no país. Adriana teve o primeiro contato com a área em um seminário em 2003, quando conheceu uma ecologista das mídias de Nova York chamada Sue Barnes. Depois da apresentação da pesquisadora, Sue contou que o trabalho de Adriana era ecologia das mídias, mesmo que ela não soubesse.

- Depois de um longo silêncio, as ideias de McLuhan começaram a se tornar centrais, ou pelo menos inevitáveis para o estudo da comunicação no Brasil. O poder transformador das mídias eletrônicas era óbvio demais para ser ignorado ou marginalizado. A sensação de liberdade acadêmica e o espírito de colegialidade que caracteriza ecologistas de mídias me fascinaram. Imediatamente, senti um contraste com a rígida abordagem disciplinar que havia cercado meu desenvolvimento inicial como professor e acadêmica. Sue Barnes estava certa, eu era uma ecologista das mídias – finalizou.

 

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