Arte, tecnologia e humanidade
11/07/2022 12:03
Carolina Smolentzov, Luanna Lino e Victória Reis

Multiartista e cineasta norte-americana Tiffany Shlain participa da 23º edição da convenção do Media Ecology Association na PUC-Rio

A artista Tiffany Schlain (Foto: Victória Reis)

Pela primeira vez no Brasil, a artista norte-americana Tiffany Shlain vem à PUC-Rio participar da 23º edição da convenção do Media Ecology Association (MEA). Tiffany é cineasta indicada ao Emmy, autora, palestrante e fundadora do Webby Awards, que, de acordo com o The New York Times, é o equivalente ao prêmio Oscar da web. A artista foi descrita como uma “pioneira da internet”, e aclamada pela revista Newsweek como “uma das mulheres dando forma ao século XIX”.

Logo antes da pandemia, a instalação de arte Dear Human foi apresentada no Museum of Modern Art (MoMA) de Nova Iorque. A exposição incorpora o cinema falado, a interação direta do público e dispositivos móveis para pensar o que é ser humano na cultura da tecnologia, que demanda energia “24/7” - 24 horas por dia, sete dias por semana. No sábado, 9, Tiffany vai performar a mesma apresentação que fez em Nova Iorque, na PUC-Rio e receberá o The Neil Postman Award for Career Achievement in Public Intellectual Activity do Media Ecology Association.

Como é estar no Brasil e discutir esse tópico na sua área?

Tiffany Shlain: É a minha primeira vez no Brasil e eu amo. Adoro o Rio, é tão lindo e vibrante. É animador estar aqui discutindo esse tópico com pessoas do mundo inteiro interessadas em mídias e tecnologia, e ecologia das mídias.

Qual é a importância da arte em um mundo pós-pandêmico?

Tiffany: Arte é tudo. Os últimos dois anos têm sido tão difíceis, e acho que, às vezes, a arte pode dizer o que não temos palavras para expressar. Às vezes, também, a arte é uma escapatória para o futuro, para chegar ao próximo passo. Arte é sempre difícil. Artistas são as antenas da nossa cultura, elas apontam para o que deveríamos estar falando e são livres das amarras das estruturas normais. Acho que artistas criam de um jeito diferente, o que é muito poderoso - em imagem, em poesia, em música, em pinturas - eu sou muito agradecida de ter o meio da arte para expressar ideias.

Desde que você começou a trabalhar com mídias, o que tem mudado na receptividade e interação do público com a sua arte?

Tiffany: Quando comecei a fazer filmes não existia internet, nem web, logo a comunicação direta que tenho é recente. Sou uma escritora e estabeleço um relacionamento íntimo tão direto com meus leitores por meio da internet. As pessoas podem me seguir no Instagram e acompanhar a minha newsletter e se manterem conectados com o meu trabalho. Sinto que, quando comecei como cinegrafista, não tinha muitas oportunidades de estar conectada com as pessoas que gostam do meu trabalho, para eles estarem comigo durante toda a minha jornada. Já tive tantas fases diferentes da minha vida e isso é divertido. Algumas pessoas me acompanham desde que eu fundei o Webby Awards quando era bem jovem, ou através dos meus filmes e livros, e agora esse é o novo capítulo que eu estou - e isso é muito emocionante.

Como conciliar arte, tecnologia e humanidade?

Tiffany: Eu acho que a tecnologia é uma extensão de quem somos. De vez em quando, precisamos lembrar de nos desconectar dela para poder ouvir o que há dentro de nós. É tudo muito atraente e interessante, mas às vezes, estamos apenas vivendo em uma realidade na qual não estamos realmente ouvindo nossos pensamentos, mas reagindo ao mundo ao nosso redor. Gosto de desligar todas as minhas telas por 24 horas uma vez na semana e começar a me ouvir novamente. A maior parte das minhas ideias mais criativas vem nesses dias e eu tento encorajar a todos a fazer o mesmo e lembrar como é se desligar das telas. Sempre tem muita coisa acontecendo o tempo todo ao nosso redor - nas redes sociais e nos noticiários - e, por muitas vezes, esquecemos de pensar e ouvir nossa própria alma, porque nada é mais importante que isso. Seja assistindo um filme ou série, lendo um livro, sempre tem muito barulho em nossa mente e não conseguimos nos ouvir. Por mais que eu ame a tecnologia e esse poder de comunicar, eu sei que é necessário tirar um tempo para mim mesma.

Mais Recentes
Missão apostólica: conhecer e implementar
Em parceria com a CNBB, Departamento de Teologia organizou seminário sobre o acordo Brasil-Santa Sé
De pé, ligados uns aos outros
Os painéis Guerra e Paz do pintor Cândido Portinari são cedidos novamente pela ONU para serem exibidos