BRICS Policy Center inaugura novo espaço
30/08/2022 09:53
Henrique Silva

Encontro marca o início das atividades na nova sede do instituto nas Casas Casadas

Os integrantes do debate compõem uma das mesas. (Foto: Jorge Paulo Araujo)

Centro de estudos e pesquisas do Instituto de Relações Internacionais da PUC-Rio (IRI), o BRICS Policy Center (BPC) inaugurou, em parceria com a Prefeitura, a nova sede, no bairro das Laranjeiras. Um debate sobre o cenário político global foi realizado e contou com a presença de figuras ilustres no ambiente diplomático, como o embaixador e ex-ministro Celso Amorim, o diplomata e coordenador-geral adjunto para BRICS e IBAS do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Gustavo Westmann, além de representantes dos consulados da Rússia e da China no Brasil. 

O tema da conversa foi “BRICS, conjuntura internacional e política externa brasileira: o que esperar no futuro próximo?”. A professora e coordenadora do BPC, Ana Garcia, mediou o bate-papo e relembrou a história do centro de estudos, que completa uma década este ano. O Reitor, Padre Anderson Antonio Pedroso, S.J., reiterou, no início do debate, o compromisso acadêmico da PUC-Rio com as questões sociais. Ele pontuou, ainda, a importância de a Universidade exercer a sua função comunitária e se estender pela cidade do Rio de Janeiro, com universalidade e sensibilidade humana profunda.

Padre Anderson discursa na primeira mesa. (Foto: Jorge Paulo Araujo)

— Faz parte da da vocação da PUC, como Universidade, de estar aberta para o diálogo e, sobretudo, para o diálogo bastante específico e de alta qualidade no que diz respeito a tudo que é internacional. A minha presença é um pouco para reafirmar isso, que é, inclusive, uma das linhas de força que nós queremos propor para toda a Universidade: um diálogo e uma presença qualitativa, de forma sistemática, no campo internacional. Nesse momento, esse diálogo se reveste de uma característica mais forte, pois estamos no meio de uma crise mundial, a guerra na Ucrânia. E ela pede soluções multilaterais. É um momento difícil para a humanidade, e nós temos que nos ocupar de pensar e propor soluções - afirmou.

Padre Anderson ainda ressaltou que o período eleitoral é um momento importante, de reafirmação da democracia. O jesuíta definiu a PUC-Rio como uma “escola de política” e não uma instituição que faz política partidária. 

— Isso porque política vem de Polis, de cidades, e o próprio campus da PUC é uma pequena cidade, é um lugar onde a gente aprende a conviver. Então, eu invoco esse sentido mais alto da política. E a nossa Universidade acompanha todos os movimentos da política brasileira, com a esperança de que seja sempre o melhor e que não sejam esquecidos os mais fragilizados socialmente.

Celso Amorim discursa ao lado do diplomata Gustavo Westmann (Foto: Jorge Paulo Araujo)

Sentado ao lado de Westmann, Celso Amorim lembrou a vocação do Brasil para intermediar conflitos e revelou os bastidores da criação do BRICS, quando ele chefiava a pasta do MRE. Segundo ele, o bloco dos países de economia emergente deveria retomar os mecanismos de colaboração e ser protagonista na busca de pactos pela paz. O chanceler citou a guerra entre Rússia e Ucrânia como um momento histórico em que os países membros deveriam intermediar um acordo entre as partes. Amorim apontou que vivemos tempos de rivalidades significativas e que o mundo não pode fomentar os combates.

— Eu acho que o problema é a falta de presença do Brasil. Ninguém dialoga com o Brasil. Eu fiz parte de governos, e posso falar muito do governo Lula, quando fui ministro, mas também do governo Fernando Henrique, quando era embaixador, nós estaríamos trocando ideias com Macron, Putin, Biden, Xi Jinping. E, hoje, não, o nosso governo tem um total isolamento, ele só age por oportunismo. Não vou julgar os votos (do Brasil na ONU), em si, porque eles têm sido até razoáveis. O Brasil tem acompanhando outros países em desenvolvimento nas sanções e medidas para conter a Rússia, por exemplo. Acho que a invasão é condenável, mas temos que contribuir para a paz. E não temos a menor capacidade, hoje - disse o embaixador.

O professor Fernando Ribeiro apresentou dados e contextualizou a criação do BRICS. Coordenador de Estudos em Relações Econômicas Internacionais do IPEA, ele afirmou, ao longo da exposição, que a China deixou de ser uma parceira e se tornou uma ameaça — devido à expansão de suas influências. Professora do Instituto de Economia da UFRJ e coordenadora do LabChina, Isabela Nogueira, aproveitou o momento para estabelecer que o BRICS é contra as invasões russas. Em contraponto ao professor Ribeiro, ela disse que a China se sente estrangulada pelas sanções impostas pelos Estados Unidos.

Consultor da Rede Brasileira para Integração dos Povos (REBRIP), Adhemar Mineiro, retomou a fala de Amorim sobre a atuação do Brasil pela paz. Além disso, a relação do BRICS com o G-20 também fez parte de sua abordagem. O diretor do IRI, professor Luis Manuel Fernandes, encerrou a apresentação e comentou as características da Nova Ordem Mundial, por meio de informações coletadas e reunidas pelo BPC. Ele celebrou a inauguração do novo espaço em parceria com a Prefeitura.

O representante do consulado chinês aproveitou a oportunidade para reforçar que o seu país está comprometido com a manutenção da paz e intensificação da cooperação entre os países. Sobre as investidas militares do governo Chinês em Taiwan, ele atribuiu o fato ao intervencionismo dos Estados Unidos na região. O representante russo não se manifestou.

Plateia acompanha ao debate. (Foto: Jorge Paulo Araujo)

O debate promovido pelo BRICS Policy Center está disponível no YouTube do IRI. Para acessar, clique aqui.

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