É fato ou fake?
02/09/2022 19:29
Kecila Barcelos

Em palestra, jornalistas da AFP explicam como a agência realiza trabalho de checagem de informações

Yael Berman mostra as ferramentas utilizadas pela AFP nas redes sociais (Foto: Jorge Paulo Araujo)

Com a facilidade de disseminar informações nas redes sociais e as novas tecnologias de manipulação de imagem e áudio em desenvolvimento, veículos de comunicação começaram a utilizar mecanismos de identificação de notícias falsas. Duas jornalistas da Agência France-Presse (AFP) ministraram uma palestra no dia 9 de maio para contar um pouco da dinâmica do trabalho de investigação digital. Durante palestra, explicaram sobre o curso on-line criado pela AFP e apoiado pelo Google New Iniciative.

Após observar a onda crescente de acusações falsas que circularam na internet sobre os candidatos à presidência na França nas eleições de 2017, a France-Presse designou um jornalista para verificar os dados que eram transmitidos nas redes sociais. A APF liderou uma coalizão com outros veículos midiáticos chamada Cross Check para combater a desinformação durante o período eleitoral. A Coordenadora Global de Treinamento em Investigação Digital da AFP, repórter Elodie Martinez, contou como a Agência expandiu o trabalho há quatro anos, alcançou a América Latina e formou parcerias para tentar suprimir fake news. Ela ainda ressaltou a estrutura  brasileira para a checagem de informação.

- Na América Latina, a AFP começou a atividade de fact checking em junho de 2018. Eu coordenava, naquele momento, uma equipe regional de três jornalistas. Hoje, são cerca de 30 jornalistas cobrindo quase toda a América Latina. Esse crescimento veio com uma multiplicação de parcerias com grandes plataformas que procuram checadores independentes para tentar frear a circulação de desinformação:  Facebook, Instagram, WhatsApp, Google, TikTok entre outras. O Brasil é o país com o maior número de checadores dentro da rede da AFP, que tem mais de 130 jornalistas - afirmou.

Elodie Martinez apresenta os países onde a AFP atua (Foto: Jorge Paulo Araujo)

Cobrir mais de 80 países com um número ilimitado de dados que circulam o tempo todo é uma tarefa difícil e que necessita de critérios de seleção para definir o que será ou não apurado. As redes sociais parceiras, no entanto, possibilitam que a Agência utilize ferramentas gratuitas dentro das próprias plataformas para fazer a checagem em escala global. Elodie explicou como funciona o monitoramento diário que a AFP realiza nas redes e que para cada plataforma a equipe usa um tipo de ferramenta específico.

- O monitoramento do que circula nas plataformas é uma atividade diária chave para encontrar desinformação nas redes sociais. A equipe usa muito o TweetDeck para observar o que circula no Twitter. Para plataformas como o Facebook e o Instagram, usamos ferramentas providenciadas por essas plataformas. Para termos acesso ao WhatsApp, como é uma rede privada, dependemos do conteúdo que os usuários queiram mandar ao nosso bot. No Telegram, acessamos grupos públicos, no TikTok também recebemos listas com possíveis conteúdos falsos. Dentro do universo da desinformação priorizamos sempre conteúdos virais, com alto grau de falsidade, e com potencial danoso, seja em áreas de saúde, eleições, integridade física especificou.

Apesar de todas as notícias enganosas serem fichadas apenas como “fake news”, a AFP as diferencia e classifica como falsas, enganosas, sem contexto, sem registro, montagem, foto adulterada ou vídeo adulterado - isto porque um dado real pode ser distorcido de forma a enganar o público, por exemplo. A repórter da AFP do Brasil, Yael Berman, ex-aluna de Comunicação da PUC-Rio, comentou que é importante ter um olhar desconfiado diante de publicações que circulam nas redes, principalmente as que mexem com as emoções dos consumidores de informações.

- Uma foto pode ser verdadeira, mas estar circulando fora de contexto; um vídeo pode ter as imagens e/ou áudio editado para sugerir um sentido diferente do original. É possível usar algumas ferramentas, como de busca reversa pela imagem e geolocalização, para identificar indícios de falsidade por conta própria. E outra dica é seguir as contas do AFP Checamos no Twitter e no Facebook e salvar nosso número de WhatsApp (+55 21 98217-2344)”, anunciou.

Palestra da AFP para alunos de Comunicação da PUC-Rio (Foto: Jorge Paulo Araujo)

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AFP é gratuito e de livre acesso. Saiba mais sobre ele no link https://br.digitalcourses.afp.com/

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