Jovem sinfonia da diversidade
11/11/2022 18:16
Gabriel Meirelles, Henrique Barbi Silva e Sophia Marques

Orquestra Sinfônica Jovem do Rio de Janeiro traz otimismo e homenageia comunidade PUC-Rio

Orquestra Sinfônica Jovem do Rio de Janeiro alegra o pilotis (Foto: Diogo Maduell)

Uma apresentação que flutuou entre momentos formais e descontraídos com jovialidade e muita música de qualidade. A Orquestra Sinfônica Jovem do Rio de Janeiro (OSJRJ) empolgou os pilotis durante a hora do almoço no primeiro concerto que realizou no campus da Gávea no dia 9 de novembro. Composta por jovens de diferentes comunidades do Rio de Janeiro, a OSJRJ encantou ao interpretar um repertório que foi do clássico ao popular. Organizado pela Igreja do Sagrado Coração de Jesus, um dos braços do Consórcio de Iniciativas Pastorais, o concerto foi uma homenagem aos alunos, professores e colaboradores da PUC-Rio.

Conduzidos pelo regente Renan de Paula da Conceição, os 32 artistas  que participaram do encontro com a comunidade PUC-Rio - ao todo são 55 músicos - demonstraram vitalidade com batalhas musicais, danças e uma performance alegre. O repertório foi formado por composições eruditas, como Concerto para 4 Violinos, de Antonio Vivaldi, e Bachianas nº4, de Heitor Villa-Lobos, e também versões de músicas populares brasileiras, como Garota de Ipanema, de Tom Jobim, e Aquarela do Brasil, de Ary Barroso. O grupo encerrou a apresentação de mais de uma hora com Asa Branca, de Luiz Gonzaga, e foi aplaudido pelos reitores da PUC-Rio presentes na festa e por toda a Universidade.

Renan de Paula anima o pilotis com MPB (Foto: Diogo Maduell)

A OSJRJ é um fruto da ONG Ação Social pela Música do Brasil, fundada pela violoncelista Fiorella Solares em 1994, ao lado do marido, o maestro David Machado. Fiorella ocupou o cargo de diretora desde o início da instituição, e disse que o objetivo do projeto é promover a inclusão social de crianças e jovens por meio da educação social e cultural, levando a música clássica para dentro das comunidades. A iniciativa atende mais de 4.400 alunos em três estados, e, só no Rio de Janeiro, são 20 comunidades.

O Reitor da Igreja da PUC-Rio, Padre Arnaldo Rodrigues, destacou a importância de se realizar o espetáculo musical nesta época do ano e homenagear professores, alunos e colaboradores da PUC-Rio. Segundo ele, esta foi a primeira oportunidade de desejar votos de Natal para a comunidade. Para o sacerdote, o ser humano precisa de arte para sobreviver bem, e este momento traz alegria, cultura e contribui para a formação integral do estudante.

— O significado dessa apresentação é deixar um momento de otimismo e alegria para as pessoas que estão na PUC todos os dias. Nós tivemos durante o ano momentos bem atribulados, e vamos chegando sempre ao final do ano cansados. É uma forma também de elevar o ânimo das pessoas e, de uma certa forma, dar um pouco de alegria, otimismo, concentrar-se em algo mais lúdico que ajude também as nossas necessidades.

OSJRJ com o Reitor da PUC-Rio, Padre Anderson Antonio Pedroso, S.J., o Vice-Reitor Geral, Padre André Luís de Araújo, S.J., e o Reitor da Igreja da PUC-Rio, Padre Arnaldo Rodrigues (Foto: Diogo Maduell)

Responsável pela ponte entre a OSJRJ e a Universidade, Padre Arnaldo afirmou que já realizou trabalhos em parceria com o grupo e ressaltou a missão social deste movimento.

— A orquestra é uma forma de mostrar para as comunidades que os jovens têm também várias possibilidades de locais para poder se desenvolver profissionalmente.

Dois rostos musicais

O regente da apresentação, Renan de Paula da Conceição, está há dez anos no projeto. Morador do Morro dos Macacos, em Vila Isabel, ele começou no universo musical por influência da família. Os tios tocam violão na igreja, e Renan aprendeu desde cedo a manusear o instrumento. O jovem iniciou a trajetória na OSJRJ com a viola de arco, mas depois de uma turnê na França se encantou pela regência e passou a trilhar um novo rumo.

(Foto: Diogo Maduell)

— Tinham quase 100 pessoas num galpão, e havia uma criança pequenininha lá na frente, botaram ela para reger, e aí surgiu a curiosidade: como estava chegando esse som para a criança? Porque o maestro é o privilegiado. É a primeira pessoa a receber a carga de som, daí eu comecei a querer isto, mas não tinha oportunidade. A partir de 2017, me colocaram como monitor, comecei a praticar regência, e estou aqui até hoje.

Moradora do Complexo do Alemão, Anna Eliza Ribeiro Moraes foi uma das violinistas a tocar. Quando conheceu a ASM Brasil aos 10 anos por meio de uma tia, a estudante de Música da UFRJ não imaginava que se apresentaria na Sala Cecília Meireles, na Cidade das Artes e no Theatro Municipal com um violino e um arco. Muito menos ainda cogitava viajar para Alemanha, Holanda, Suíça e Nova Iorque nas turnês da OSJRJ para exibir o talento.

Violinista da OSJRJ, Anna Eliza Ribeiro Moraes (Foto: Diogo Maduell)

— Eu fui à sede do projeto só para matar tempo. Eu estudava de manhã, não tinha mais nada durante a tarde, mas não sabia sobre o que era. Fui pela curiosidade mesmo. Quando cheguei lá, tinha uma orquestra gigante. Eram muitas crianças tocando junto, tudo certinho. E quando encontrei o violino, foi paixão à primeira vista. Eu falei: ‘quero aprender a tocar, quero ver como é, quero saber como é’. A partir daí eu comecei na música.

A diretora da ONG, Fiorella Solares, relatou que a integração da Universidade com o projeto já era uma ambição há muitos anos, e que esta apresentação representa uma mudança de paradigma. Isto porque, observou, o projeto trouxe jovens oriundos da periferia para uma instituição de elite intelectual e científica, e, neste caso, foram eles que performaram arte de alto nível. A violoncelista disse, ainda, que espera que este seja o começo de uma grande parceria entre a PUC-Rio e a OSJRJ.

Diretora da OSJRJ, Fiorella Solares (Foto: Diogo Maduell)

— O convite da Reitoria veio ao encontro de um sonho nosso. Estes jovens músicos são todos moradores de comunidade, eles vêm de uma batalha muito grande e são verdadeiros heróis. A PUC-Rio é uma instituição forte e formadora de opinião. Grande parte dos estudantes daqui sairão para lugares importantes, para difundir conhecimento. E é necessário que estes formadores de opinião conheçam a periferia, e o grande talento e valor que os jovens periféricos têm.

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