Tudo e nada ao mesmo tempo
22/05/2023 14:56
Luzi Alves

Jornalista Maria Beltrão vem à PUC-Rio para lançar, pela primeira vez, o seu livro "O Amor Não se Isola" de forma presencial

Maria Beltrão em lançamento do seu livro O Amor Não se Isola, na PUC-Rio. Foto: Caio Matheus

Com exclusividade, a jornalista Maria Beltrão esteve na PUC-Rio, no dia 12 de abril, para lançar, pela primeira vez de forma presencial, o seu livro O amor não se isola: Um diário com histórias, reflexões e algumas confidências. A obra, publicada em 2020, só havia sido divulgada por meio de lives nas redes sociais por conta da pandemia. A apresentadora do programa É de Casa, da TV Globo, participou de uma conversa com alunos a convite do professor Sergio Mota, do Departamento de Comunicação. Ela aproveitou ainda para falar sobre a carreira e sua mudança de cenário na televisão.

O Amor Não Se Isola é o primeiro livro de Maria. De acordo com a autora, a obra nasceu de um exercício de escrita e criatividade que passou a fazer no período de isolamento. Ansiosa com o momento de quarentena, colocou em prática uma dica da escritora americana Julia Cameron: escrever três páginas por dia sobre qualquer coisa. Para Maria, a técnica, chamada de morning pages, serviu como uma terapia para ela e, quando percebeu, já tinha feito 70% das páginas redigidas.

— Eu jamais teria escrito um livro se eu soubesse que estava escrevendo um.  Até comento no livro que uma folha em branco é uma das coisas mais aterrorizantes que conheço. E ele não é sobre a pandemia, em alguns dias eu acordava e falava sobre musical, uma lembrança de Infância, minha fé, eu falava sobre o que queria. É um livro sobre nada, quase um Seinfeld.

O professor Sergio Mota, que chega a ser citado no livro por Maria, foi o primeiro a fazer uma live com a autora, e o único a trazer o lançamento do exemplar para o presencial. Ele contou que quando fez a proposta para Maria ir à PUC-Rio, ela achou que talvez não fosse uma boa ideia após quase três anos da publicação. Mas de acordo com Mota, era de grande importância promover esta estreia para as pessoas que não tiveram acesso à obra, e não havia melhor lugar para fazer isto do que em uma sala com jovens estudantes de comunicação.

— O livro ganha uma outra dimensão, um outro contexto. Ele nos faz refletir sobre afetos, profissão, inseguranças. A linguagem é fácil, e é muito bem escrito nesse formato de diário, que é um formato consagrado. Lembra um pouco o Diário de Bridget Jones, tem esta leveza. E a Maria é isto. Ela é leve, informal, mas ao mesmo tempo apresenta inteligência, contundência e seriedade. Ela é uma inspiração até para mim como professor.

Maria Beltrão e professor Sergio Mota em bate-papo sobre o livro. Foto: Caio Matheus

Na conversa, Maria também falou do seu período de transição do dia a dia de hard news para ser apresentadora de uma atração matutina no sábado. Ela revelou que já tinha o desejo de sair da GloboNews desde 2019, mas que, por causa da pandemia, decidiu permanecer por mais tempo. Durante 25 anos na emissora de notícias, Maria comandou telejornais e programas como “Entre Aspas" e "Estúdio i”. Em 2022, comunicou sua saída e passou a apresentar o “É de Casa”. A jornalista ainda acrescentou que problemas de saúde dela e de sua mãe foram fatores que a impulsionaram a tomar esta decisão. Na época, ela descobriu uma obstrução de 50% no coração.

— Eu já suponha que estava no precipício de um Burnout, eu não queria mais fazer hard news. Mas com a pandemia, eu não podia largar o barco, precisava ter um mínimo de senso de serviço. Eu sempre tive uma insegurança muito grande em tentar o entretenimento, tinha medo de ser julgada e parecer ridícula, mas sabia que tinha algo para entregar. Hoje, cada vez menos tenho medo de ser ridícula. Sem ousar, você não vai ser nada na vida. Tem que ter coragem de ser imperfeito, pois são os fracassos e as quedas que vão fazer você aprender qualquer coisa.

Ativa na GloboNews desde que a emissora foi fundada, a jornalista revelou que foi surpreendida pela proposta de trabalhar com entretenimento e permanecer na Rede Globo. Diante das mudanças que ocorreram com a saída da Fátima Bernardes, do programa “Encontro”, e a escalação de Patrícia Poeta para substituir Fátima, a empresa já tinha interesse em levar Maria para o canal principal. Isto aumentou com o desejo da própria jornalista em buscar algo novo. Ela também reforçou que a emissora tem colocado, cada vez mais, jornalistas na função de apresentadores.

Público enche a sala 102-K para a palestra com Maria Beltrão. Foto: Caio Matheus

Maria afirmou que não sentiu tanta dificuldade na mudança do ambiente formal para um morning show, pois sempre foi “uma maluquinha do entretenimento no jornalismo”. A apresentadora ainda destacou que, apesar da mudança, nunca deixará de ser jornalista.

— Não dá para separar mais o apresentador do jornalista. Se você está no meio de um programa de entretenimento e chega uma notícia, de uma hora para a outra, como jornalista você está preparado para passar a informação para o público.

Com a sala cheia de alunos e fãs, Maria respondeu a dúvidas do público sobre o livro e trajetória profissional, e atendeu a uma longa fila de autógrafos do manuscrito. Após a divulgação do primeiro lançamento presencial no Instagram da autora, alguns seguidores pediram para que ela fizesse o mesmo em outras cidades. Mas ela reiterou que não vai repetir o ocorrido.

— Eu achei a ideia de lançar o livro, aqui na PUC, linda. Estar com estudantes de jornalismo, universitários no geral, é uma das coisas que mais gosto de fazer. Eu amei ver este carinho, é a melhor coisa do mundo, me alimenta a alma.

Maria Beltrão em sessão de autógrafos após a palestra. Foto: Luzi Alves

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