A peregrinação dos 12
31/07/2023 15:53
Angelo Ye

Estudantes da PUC-Rio visitam Santuário de Aparecida do Norte, maior complexo de culto à Virgem Maria das Américas

Vista superior e interna da Cúpula Central, que está a 52 metros do chão. Foto: Bruno Marot.

No dia 1º de julho, 12 alunos saíram às 6h da PUC-Rio, na Gávea, rumo a um lugar muito especial: o Santuário de Aparecida do Norte, na cidade de Aparecida, no norte do estado de São Paulo. Em apenas um dia, os jovens e alguns pais desses estudantes puderam não só apreciar a arquitetura do lugar como, principalmente, estar em contato de forma profunda com a fé interior. Uma experiência única na qual é possível compartilhar a religiosidade e, também, aprofundar laços. 

O Santuário de Aparecida do Norte é um lugar de adoração e fé para católicos. Estima-se que todos os anos aproximadamente 12 milhões de pessoas visitem o local. Os romeiros, como são conhecidos, fazem viagens ou peregrinações com propósitos religiosos, dos quatro cantos do país e do mundo, ansiosos para conhecer a Catedral Basílica de Nossa Senhora da Conceição Aparecida para agradecer por milagres concedidos pela Mãe de Deus.

Os jovens da PUC-Rio chegaram às 10h e aguardaram até a missa das 11h, que foi celebrada por Padre Arnaldo, na Capela dos Apóstolos, local onde as missas só podem ser realizadas com autorização prévia. Para se ter uma ideia da importância do lugar, o Papa Francisco celebrou um ato litúrgico quando visitou o complexo. O oratório fica atrás da imagem de Aparecida, o que torna a capela ainda mais simbólica.

Padre Arnaldo e alunos em frente a um dos portões da Basílica. Foto: Breno Marot.

Segundo o Reitor da Igreja do Sagrado Coração de Jesus, na PUC-Rio, Padre Arnaldo Rodrigues, que liderou o grupo, o objetivo da peregrinação era reunir os estudantes em um momento de oração e também apresentar o Santuário e a Brasílica para aqueles que não os conheciam.

Ele relembra o tour que fizeram pelo Santuário. Na visita, os alunos puderam conhecer os principais locais do complexo e também um pouco da história que gira em torno dele. Ele ressalta que a viagem foi planejada por meio de um grupo jovem de estudos religiosos que se reúne toda quarta-feira na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, no campus da Universidade. Os encontros são abertos para qualquer aluno que deseje participar.


— Fizemos um tour pela Basílica para conhecer os principais pontos: a cúpula principal, a Torre Brasília, o Museu Nossa Senhora Aparecida. Eles aprenderam um pouco da história do espaço. Foi um momento muito rico, pois quem não conhecia, passou a conhecer, e quem já conhecia um pouco, passou a conhecer um pouco mais, além de viver essa experiência de fé. Temos um grupo de estudos e nos encontramos todas as quarta-feiras, às 12h30. Nós combinamos de fazer a viagem ao Santuário. São 30 minutos de reflexão semanal, e alunos que quiserem participar são sempre bem-vindos.

Celebração da missa na Capela dos Apóstolos por Padre Arnaldo. Durante o rito, alunos tocam a parte de trás do nicho onde está a imagem de Aparecida. Foto: Breno Marot.

O templo católico é o maior das Américas e o segundo maior do mundo - perde apenas para a Basílica de São Pedro, em Roma. Na Capela da Ressurreição, no interior da igreja, fica o Nicho da Imagem Milagrosa de Nossa Senhora, área em que repousa a imagem de Nossa Senhora Aparecida. Em 2017, foi celebrado o tricentenário do encontro da imagem da Santa nas águas do Rio Paraíba do Sul por pescadores da região. Foi o primeiro de muitos fenômenos atribuídos a Nossa Senhora, a “Aparecida” nas águas do rio - daí o nome. Três papas já visitaram o complexo: Papa João Paulo II, Bento XVI e Francisco.

Área interna do templo. A capela impressiona pela imponência. Foto: Breno Marot.

Uma das integrantes do grupo e aluna do 6º período de Psicologia, Poliana Delfino, 21 anos, conta que, para ela, o objetivo da viagem foi fortalecer seu lado espiritual. Foi a segunda vez que ela esteve no Santuário. Mesmo assim, ela ainda se impressiona com o lugar e com a fé das pessoas que se deslocam dos quatro cantos do Brasil para fazer pedidos à Santa, assistir à missa ou compartilhar experiências com outros devotos.


— Em 2017, eu tinha ido com meu colégio. A experiência é única. O Santuário de Aparecida é um lugar que você observa de tudo (no sentido da fé), porque você observa gente do Brasil inteiro, que vai sozinha, com amigos, família, de ônibus, van, carro, bicicleta, a pé, ou até de cavalo, para agradecer por algum milagre que a pessoa precisava, pedir por alguma situação, assistir à missa, ou ter um momento de convívio. Simplesmente maravilhoso. Sou católica e já sabia o que esperar, mas mesmo assim foi de tirar o fôlego.

Vista da parte interna e superior da Torre Brasília. Foto: Breno Marot.

Para Poliana e muitos outros fiéis, Aparecida pode ser comparada a uma casa, uma casa de mãe, avó, de família, no sentido de todos, católicos ou não, se sentirem confortáveis lá. Há momentos de famílias diferentes que compartilham comida, conversas e emoções. Também há relatos de peregrinos que afirmam que os tijolos do Santuário lembram os da casa deles. 

O lugar onde está a Catedral de Aparecida é enorme, tem diversos museus e capelas com significados diferentes. É um complexo com 1,3 milhão de m² com 143 mil m² de área construída - mais do que a cidade de Jerusalém, que tem 125 mil m².  Só a Basílica Nova — construída em forma de cruz — são quase 72 mil m², o equivalente a oito campos de futebol. A parte interna acomoda até 30 mil pessoas em torno do altar.

Um dos lugares mais significativos para os romeiros é a Capela dos Milagres,  lugar destinado a devotos que suplicam por milagres. Vale ressaltar que as pessoas deixam memórias para agradecer pela graça recebida, como por exemplo, laudos médicos do câncer curado e cartas.

Basílica e Torre Brasília, ao fundo, e Ponte da Fé, em primeiro plano. Foto: Reprodução.

Aluno do 10º período de Engenharia da Computação, Breno Marot, 22 anos,  diz que o objetivo da romaria era estreitar laços com os colegas do grupo jovem da Universidade. Assim como Poliana, essa foi a segunda visita de Marot à Aparecida. Católico praticante, ele afirma que fica impressionado com a grandeza do lugar. Ele enfatiza que a ida ao templo o fez entender melhor a grandiosidade de Deus e a importância da fé interior de cada indivíduo. Por fim, destaca a emoção de conhecer a Capela dos Apóstolos, local que fica bem próximo da Santa e que recebeu a visita dos últimos três pontífices.

— O meu objetivo com a viagem era de me aproximar mais das pessoas que estavam comigo para aprofundarmos a nossa amizade. Sem dúvida é uma experiência única, pois o Santuário de Aparecida é o segundo maior do mundo, atrás apenas da Basílica de São Pedro. Entendi que a riqueza da fé não está só em lugares fixos, mas dentro de cada um. A palavra que melhor descreve o lugar, sem dúvida, é “grandeza”. É um lugar que mostra muito bem a grandeza de Deus em relação à nossa pequenez. É um daqueles lugares que é necessário visitar ao menos uma vez por ano. A parte mais significativa foi a Capela dos Apóstolos, que fica imediatamente atrás da imagem real de Aparecida, pode-se até mesmo tocar na parte de trás da imagem.

Devotos rezam aos pés do nicho onde está a imagem original da Santa. O lugar é o maior ponto de peregrinação dentro do Santuário. Foto: Breno Marot.

Mais Recentes
Os vários papéis da polícia no Mundo Atlântico
Encontros da História da PUC-Rio reuniram palestrantes da Itália, México e Brasil
Alunos terão desconto em moradia universitária
PUC-Rio fechou parceria com Uliving, maior rede deste tipo de serviço no país
A busca pela liberdade nas manifestações artísticas
Marc Lenot debate fotografia experimental a partir das ideias do filósofo Vilém Flusser