Uso eficiente de energia elétrica
31/07/2023 16:39
Sophia Marques

Projeto de parceria entre a PUC-Rio, UFRJ e UFCG lança livro sobre a ferramenta computacional de previsão da vazão hídrica na bacia do rio Paraíba do Sul.

Do tupi, ´paraíba´ significa ´rio difícil de navegar´. Foto: Reprodução

Fruto de uma colaboração entre a PUC-Rio, UFRJ e UFCG, o livro "O ciclo das águas da bacia hidrográfica do Paraíba do Sul: uma ferramenta estratégica de gestão integrada do sistema hidrelétrico" descreve os resultados do Projeto MoVaSC. Desenvolvido dentro do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento Light/ANEEL o projeto aborda um tema relevante para o país: o mapeamento e gestão das bacias hidrográficas, visando maximizar o potencial hídrico para a produção de energia com base em uma fonte renovável.

A publicação apresenta uma retrospectiva histórica de estudos relacionados a uma das bacias mais importantes da região Sudeste e descreve os forçantes meteorológicos usados para fundamentar um código computacional, capaz de prever a vazão hídrica de sete dias, em 809 sub-bacias em locais críticos da região. O trabalho foi coordenado pelo  Professor Emérito Maurício Frota, do Programa de Pós-Graduação em Metrologia da PUC-Rio, e os resultados já estão incorporados no centro de gestão e monitoramento da Light Energia S.A.

Regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), o Programa de Pesquisa e Desenvolvimento e Eficiência Energética (P&D/EE) é resultado de uma política pública cujo objetivo é promover o uso eficiente da energia elétrica em todos os setores da economia. Neste caso, a lei determina que um montante da renda líquida das concessionárias brasileiras de energia seja destinado, anualmente, a um fundo para investimentos em projetos inovadores na área. Estas empresas apontam necessidades para introduzir melhorias na área e abrem editais, aos quais centros e institutos de pesquisa podem submeter propostas. Este foi o caso do Projeto MoVaSC, aprovado no Projeto de Pesquisa e Desenvolvimento Light/ANEEL de 2019. Segundo o professor Maurício Frota, apresentar projetos a este fundo é uma grande tradição na PUC-Rio.

Autores do livro em cerimônia de lançamento. Foto: Reprodução

De acordo com o professor, a Light S.A. propôs um desafio ao apontar a necessidade de informações estratégicas para ajudar na gestão hídrica das suas bacias. Segundo Frota, o Rio Paraíba do Sul tem 1.137 quilômetros, corta três estados do Brasil, abastece 180 municípios, e beneficia mais de 18 milhões de pessoas.

— A empresa optou por um projeto multidisciplinar, então montei uma equipe com o nosso Programa de Pós-Graduação em Metrologia e com os programas de Meteorologia e Ciências Atmosféricas, da UFRJ e da UFCG. Ao longo de dois anos, desenvolvemos um código computacional hidrometeorológico importante, que prevê sete dias de geração de energia elétrica. Hoje, os reservatórios da Light S.A. estão mapeados e têm uma previsão de volume perdido, da idade dos reservatórios. Se não houver gestão, eles podem desaparecer, e o código prevê também o tempo que resta.

Um dos grandes desafios para a equipe, que enfrentou a escassez hídrica de 2021 e a pandemia de Covid-19, foi a produção do livro. Essa fase demandou mais um ano e meio de trabalho e foi publicada no dia 3 de julho, pela Editora PUC-Rio. Frota conta que, a princípio, o livro deveria ter um mais de 900 páginas, já que precisaria incluir relatórios, figuras e outras informações importantes. Para diminuir a publicação, a editora propôs a utilização de QR Codes no final de alguns módulos, o que permite que os dados sejam visualizados no celular pelos leitores.

A obra foi publicada no dia 3 de julho, em uma cerimônia no no auditório do Decanato do CTC/PUC-Rio. Foto: Kathleen Chelles

Um dos coautores do livro, o professor Afonso de Araujo, associado ao Departamento de Recursos Hídricos e Meio Ambiente da Escola Politécnica da UFRJ, diz que quis fazer parte da equipe desde que tomou conhecimento do Projeto MoVaSC. Ele foi convidado pelo professor Gutemberg França, do Departamento de Meteorologia da UFRJ, para se juntar ao grupo oito meses após o início das atividades, durante a pandemia de Covid-19.

- Como hidrólogo, sempre tive o sonho de fazer uma boa modelagem hidrológica com base no trabalho de meteorologia de um especialista, então trabalhar neste projeto foi um prazer. Demos um passo muito importante nesta primeira etapa, e avançamos muito em questão de conhecimento. Esperamos que a Light S.A. tenha a percepção da importância disso e, assim, o projeto tenha continuidade. O melhor ainda está por vir.

O professor Enio de Souza, da UFCG, também foi convidado pelo professor Gutemberg para participar da proposta. Os pesquisadores haviam sido colegas de mestrado em 1991, e desde então planejavam atuar juntos em algum trabalho. O edital da Light/ANEEL exigia a participação de ao menos uma universidade da região Nordeste, assim as condições convergiram para que, 32 anos depois, eles concretizassem este plano.

- Nós, da Meteorologia da UFCG, precisávamos muito de oportunidades deste tipo. Temos grupos muito fortes na Universidade, que têm dificuldades para adentrar essas oportunidades. Precisávamos abrir horizontes de trabalho e colaboração, essa chance foi muito importante.

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