Maria Inês Marcondes: a busca pela excelência
26/09/2023 12:07
Luzi Alves

Com uma trajetória de sucesso, a Professora Titular da Universidade conta suas conquistas e passos como educadora

Maria Inês Marcondes, professora titular da PUC-Rio. Foto: JP Araújo

“O educador se eterniza em cada ser que educa”: a frase de Paulo Freire se tornou parâmetro para a carreira da professora e pesquisadora Maria Inês Marcondes. Doutora em educação, ela perseguiu uma trajetória de busca à excelência e, no ano passado, foi elevada à qualidade de Professora Titular pela PUC-Rio, quando, para marcar este reconhecimento acadêmico, ministrou uma Aula Magistral sobre o filósofo e educador Paulo Freire, de quem é especialista. Maria Inês foi coordenadora de projetos como o Programa de Cooperação e Aperfeiçoamento Docente da Universidade do Estado do Pará/PUC-Rio, CAPES/CNPq Casadinho e DINTER. Para abrilhantar ainda mais o percurso da docente, em 2015 ela recebeu Menção Honrosa por contribuir com o desenvolvimento da produção do conhecimento na área da pesquisa em Educação na Amazônia. Mais tarde, exerceu o cargo de diretora do Departamento de Educação da PUC-Rio de 2018 a 2020.

Diante do sucesso no exercício da profissão, a pesquisadora, hoje, contribui com diversos periódicos voltados para o campo da educação, e integra o Comitê Editorial da Revista Teachers and Teaching (UK- Taylor and Francis Group). Em mais de 30 anos de currículo, ela coleciona centenas de pesquisas e artigos reconhecidos no campo nacional e internacional, além de colaborar para a formação de novos educadores em orientações na Pós-Graduação. Integrante da Associação Nacional de Pós-graduação e Pesquisa em Educação (ANPED), e da American Educational Research Association (AERA), ela foi também Representante Nacional da International Study Association on Teachers and Teaching (ISATT). Muitos títulos que apontam para a paixão da professora pela pedagogia e, nas palavras da professora, o processo de aprendizagem manifesta novas perspectivas e amplia horizontes.

Inspiração e gratidão
Ser professora é muito gratificante. O contato com jovens e adultos é sempre um desafio, mas, ao mesmo tempo que é muito desafiador, é extremamente gratificante ver o desenvolvimento das pessoas. Ensinamos, aprendemos, crescemos intelectualmente e emocionalmente, e isto me motivou a ser educadora. A carreira de professor e pesquisador é muito trabalhosa: preparar e dar aulas, publicar textos, participar de eventos, realizar pesquisas, conseguir financiamentos, orientar alunos em tese, dissertações e iniciação científica. Sinto que pude dar uma pequena contribuição para o desenvolvimento de pessoas, futuros professores e pesquisadores. E essas pessoas também colaboraram para o meu desenvolvimento.

Passos na PUC-Rio
Eu iniciei na PUC-Rio como instrutora do quadro complementar para dar aulas no curso de licenciatura, isto enquanto ainda era mestranda na instituição. Hoje, como Titular, passei por todos os níveis de avaliação de diferentes comissões na Universidade. A trajetória na PUC-Rio é sempre muito exigente e nos cobra muita dedicação ao estudo e ao trabalho, somos estimulados a perseguir uma carreira acadêmica que busca a excelência. O trabalho na Universidade pressupõe a formação de profissionais e cidadãos críticos, reflexivos e comprometidos com a justiça social. Fico feliz em participar disto. Na PUC-Rio, construí laços de amizade com colegas, alunos, ex-orientandos e funcionários, e isso me dá muita alegria.

Professora Maria Inês Marcondes recebe, do Vice-reitor Padre André Luiz Araújo S.J., o certificado de Professora Titular da PUC-Rio, em 8 de stembro de 2022. Foto: Kathleen Chlelles


Do Rio à Amazônia
Minha relação com a educação na Amazônia começou por meio de uma participação no Doutorado Interinstitucional-CAPES (DINTER). Ele foi estabelecido pelo programa de pós-graduação para formar doutores na região do Pará junto à Universidade do Estado do Pará. Em parceria com o DINTER, foi elaborado um projeto mais amplo de Aperfeiçoamento Acadêmico para os professores (PROCAD) e fui chamada para coordenar. Realizei diversas visitas a Belém, participei de seminários de pesquisa, fiz palestras, participei de eventos e bancas, e visitei escolas. Assim, compartilhamos experiências, e o programa conseguiu subir na classificação da avaliação da CAPES. Em reconhecimento ao meu trabalho, ganhei menção honrosa deles, além de fazer amigas e parceiras de pesquisa com quem mantenho contato até hoje.


Esperança apesar das limitações
Na região Amazônica, no que diz respeito aos professores e às suas condições de trabalho, posso dizer que ainda são muito precárias. Muitas são as dificuldades enfrentadas no cotidiano: falta de apoio pedagógico, ausência de formação continuada e difícil acesso às escolas. Mesmo com todas as limitações, os professores não se acomodam a esta realidade e buscam formas de trabalhar com histórias, desenhos, músicas e, assim, realizam seu trabalho da melhor forma possível frente à escassez de recursos.  Apesar das dificuldades, eles evidenciam o compromisso com a educação das crianças e o esforço para aprimorar o processo de ensino e aprendizagem.

A professora Maria Inês é doutora em Educação, e é especialista nos métodos de Paulo Freire. Foto: JP Araújo


Paixão por Paulo Freire
Eu já havia estudado o pensamento de Paulo Freire no Brasil, mas, por ocasião da minha participação em um congresso da Associação Americana para o Avanço dos Estudos Curriculares (American Association for the Advancement of Curriculum Studies), participei de uma sessão em que professores universitários americanos indicaram os dez livros mais importantes na área dos estudos curriculares. O livro Pedagogia do Oprimido (Pedagogy of the Oppressed) era um entre os citados, e Paulo Freire o único autor internacional daquela lista. A partir daí, procurei entender melhor como Paulo Freire se tornou um autor renomado internacionalmente com escritos que descreviam suas experiências locais.

Em minha pesquisa, percebi que a publicação de Pedagogia do Oprimido em língua inglesa, antes de ser lançada no Brasil, influenciou pessoas pelo mundo afora. Propagada também em outros idiomas, a obra foi lida por muitos educadores e professores que procuravam ultrapassar visões sobre o processo de ensino e aprendizagem. Além disso, a filosofia de Freire trouxe uma perspectiva inovadora e libertadora para a educação. Fora do Brasil, a obra de Freire foi vista como um dos fundamentos da pedagogia crítica nos anos 1970, 1980 e 1990, e não apenas na área de educação de adultos. Os livros dele, ainda hoje, são amplamente citados no contexto internacional como base de uma educação mais justa e solidária. E daí nasceu o meu interesse pelos pensamentos de Paulo Freire, sobretudo por reconhecer sua importância para a atualidade. No entanto, a carreira internacional dele ainda é pouco estudada, e isto é objeto da minha pesquisa atual.

Professora Maria Inês Marcondes ministra aula magistral sobre Paulo Freire, em celebração ao cargo de professora Titular pela PUC-Rio. Foto: Kethleen Chlelles

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