Padre Josafá: “A natureza ensina o convívio entre os diferentes"
24/05/2017 18:49
Gustavo Côrtes

Reitor da Universidade, padre Josafá Carlos de Siqueira destaca a influência dos biomas sobre a cultura regional na Fevuc.

O Reitor da PUC, padre Josafá, em palestra na Fevuc. Foto de Lucas Simões

O Reitor da PUC-Rio, padre Josafá Carlos de Siqueira, S.J., destacou ser preciso que os brasileiros conheçam melhor os biomas do país para uma tomada de consciência ecológica. Em palestra na Feira de Valores da Universidade Católica (Fevuc), nesta terça-feira, 24, no Anfiteatro Junito Brandão, no Bosque da PUC, padre Josafá – que integrou o Departamento de Geografia por 25 anos, produzindo estudos da fauna e da flora das regiões do Brasil, e hoje integra o Departamento de Biologia – apresentou as características de cada bioma brasileiro.

Ele ressaltou a diversidade natural da Amazônia, maior bioma do país, que ocupa 49% do território nacional e abriga 163 povos nativos, 70% da população indígena brasileira, além de ser cortado pela maior bacia hidrográfica do mundo. E lamentou a falta de políticas públicas que a conserve:

– Menos de um quarto das árvores da Amazônia foram descritas pela ciência. E esse tesouro que temos nas mãos desperta cada vez mais interesses num mundo em que recursos naturais são a cada dia mais escassos. As madeireiras asiáticas vêm comprando parcelas muito significativas da Amazônia, prevendo o fim das árvores no continente deles.

Na década de 1960, o Cerrado, segundo maior bioma do Brasil, ocupava um quarto do território nacional. Hoje, está reduzido a 17%. Segundo o Reitor, junto com a natureza dos biomas, perde-se também a cultura regional do Brasil, já que as frutas e as plantas revelam traços importantes dos costumes locais, como a culinária.

– É preciso valorizar as riquezas do nosso país como fazemos com as dos outros países. Muitos brasileiros vão aos Estados Unidos ver cânions pelados, e ignoram os cânions cobertos pelo verde da mata nos Campos Sulinos. Que vergonha!

O Reitor ressaltou a importância da compreensão dos biomas para a espiritualidade. Segundo ele, é possível encontrar, na natureza, lições de como lidar com os obstáculos da vida.

– A natureza ensina o convívio dos diferentes, por meio das espécies que habitam o mesmo lugar. Ensina a esperança, por meio de uma mata que se recupera de uma queimada. Ensina também a paciência e o respeito ao tempo natural das coisas e que é possível crescer, mesmo em meio à instabilidade. Aquelas árvores imensas, que têm raízes bem curtas, nos mostram isso.

Foto de Lucas Simões

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