O relevo carioca através de olhar fotográfico
27/11/2017 19:20
Marcelo Antonio Ferreira

Os relevos cariocas são tema do livro do geógrafo e professor Marcelo Motta, do Departamento de Geografia e Meio Ambiente, Sobre Rochas. A obra contém fotografias de 13 montanhas do Rio de Janeiro, assinadas pelo fotógrafo Paulo Velozo

Exemplares de Sobre Rochas, de Marcelo Motta Foto: Marcelo Antonio Ferreira

A história geológica do Rio de Janeiro e as relações entre o desenvolvimento urbano e relevo estão registradas no livro de fotografias Sobre Rochas, do geógrafo e professor Marcelo Motta, do Departamento de Geografia e Meio Ambiente; com fotos de Paulo Velozo. A obra traz o roteiro ilustrado de 13 montanhas do Rio, já exploradas por Motta em duas temporadas do programa de televisão homônimo no canal Globosat Mais, durante 2013 e 2014. O lançamento ocorreu no dia 22 de novembro, no campus da PUC-Rio, no Anfiteatro Junito Brandão.

A ideia de transformar os episódios do programa em um livro ocorreu após a boa repercussão da primeira temporada. As fotos foram produzidas como uma espécie de making-of e, após a procura da editora, começou o processo de formatação, que incluiu revisitações a alguns dos locais para novas fotos. A geografia da cidade, de acordo com Motta, apresenta um caráter único. É um relevo que se impõe. O processo de urbanização carioca teve que encontrar maneiras de respeitar e, ao mesmo tempo, se desenvolver com essa base essa geológica.

- A gente vive em um monumento geológico. A cidade do Rio de Janeiro foi erguida sobre um sítio geológico que tem formações que não existem em outro lugar do mundo. Não existe outra Pedra da Gávea, Dois Irmãos ou Corcovado. De fato, a evolução urbana necessariamente encontra o relevo e tem que se adaptar ou adaptar o relevo às suas condições. Furar túneis, criar viadutos, pontes, elevados que vão passar em cima da rocha. Esse é o trabalho de quem resolve ocupar uma cidade com um relevo como esse.

O geógrafo Marcelo Motta Foto: Marcelo Antonio Ferreira

O processo de narração do livro remete a um tempo bastante remoto, que é o geológico. A história da formação dos relevos é anterior até à presença humana na Terra. Motta defende a propagação dos estudos geográficos, pois acredita ser um campo do conhecimento com espaço bastante aberto à interdisciplinaridade, diante de outros estudos científicos não tão conectados.

- Hoje, a ciência se baseia em um paradigma muito fragmentado. Cada ciência em uma disciplina, tudo separado. Já a geografia tem um olhar muito integrado. Consegue relacionar urbanidade com relevo, chuvas com pavimentação, relação social com exclusão social, favelização com deslizamento. E acaba que a linguagem do livro e do programa traduz essa unicidade. Como a cultura está ligada à própria dimensão física da cidade. Nesse sentido, há uma militância e uma ação política de valorização do conhecimento geográfico no livro.

Reitor da PUC-Rio, padre Josafá Carlos de Siqueira, S.J. Foto: Marcelo Antonio Ferreira

O Reitor da PUC-Rio, padre Josafá Carlos de Siqueira, S.J., esteve presente no lançamento do livro do ex-aluno e ressaltou a importância de uma obra como a de Motta, que traz um olhar renovado sobre um Rio em tempos de crise. Principalmente para grupos como o de Geologia da UERJ, que foi essencial durante a pesquisa. 

- A rocha é o local que você sobe para ter uma visão do conjunto. Estamos precisando mudar um pouco nossa visão fragmentada, para ter uma visão mais sistêmica da sociedade. E a rocha nos permite isso. Não é justo o que estão fazendo com a UERJ hoje, mas vamos superar. A UERJ é mais forte que isso

Serviço: Sobre Rochas

Nº de páginas: 252

Formato: 23 x 28cm

Preço: R$ 120,00

Editora: Andrea Jakobsson Estúdio

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