Marielle, presente
16/03/2018 20:09
Elisangela Almeida, Julia Carvalho e Paula Ferro

Ato realizado nos pilotis da Ala Kennedy homenageia a vereadora e ex-aluna da PUC assassinada no Centro da cidade

Alunos, professores e funcionrios se reuniram nos pilotis da Ala Kennedy em um ato para homenagear a vereadora Marielle Franco, assassinada na quarta-feira, 14. Os sentimentos de indignao, revolta e tristeza marcaram as falas de professores e representantes de coletivos. O principal pedido de todos que seja feita uma investigao efetiva, que revele os responsveis e as motivaes do crime. Os discursos tambm reafirmaram a importncia de no deixar o caso cair no esquecimento.

O Vice-Reitor Comunirio, professor Augusto Sampaio, discursa na homenagem Foto: Thaiane Vieira

O Vice-Reitor Comunitrio, professor Augusto Sampaio, demonstrou profunda indignao com a morte de Marielle. Ele relembrou a trajetria da vereadora na Universidade como aluna do curso de Cincias Sociais e disse sentir orgulho de t-la conhecido. Augusto afirmou esperar um movimento de luta contra essa mentalidade que, segundo ele, adversa aos Direitos Humanos. O Vice-Reitor Comunitrio enfatizou tambm a necessidade da apurao do que chamou de “execuo”.

— A quem interessa executar? Calaram a voz de uma mulher pobre, negra, moradora de uma comunidade, que estudou em um pr-vestibular comunitrio. Uma liderana e uma voz que estava falando muito alto, sim. Incomodando um grande nmero de pessoas. Ento, a quem interessa? Quem pode ter tramado isso?

O diretor do Departamento de Cincias Sociais, professor Ricardo Ismael, afirmou que era um dia muito triste para todos na Universidade e lembrou a aluna que Marielle foi. A vereadora se formou em Cincias Sociais com bolsa e, de acordo com professor, era uma estudante participativa e com ambio intelectual, que j tocava na questo das favelas. Segundo Ismael, o Departamento e a Universidade estaro empenhados em garantir que o crime ser esclarecido.

— Certamente o momento difcil, estamos apenas fazendo um ato improvisado, mas necessrio. Existem dois aspectos fundamentais aqui, convocar todo mundo a ir l na Alerj para que a cidade do Rio de Janeiro abrace a Marielle. Mostrar o nosso repdio e, principalmente, que as investigaes ocorram imediatamente de maneira rigorosa para que os executores sejam identificados e aguardem julgamento. E tambm para cobrar que as motivaes e as circunstncias desse assassinato sejam esclarecidas.

O professor Marcelo Burgos, do Departamento de Cincias Sociais, afirmou que a morte de Marielle foi um forte golpe contra o Rio de Janeiro. Para ele, assassinar uma vereadora que foi a quinta mais votada um baque profundo na poltica brasileira. Burgos declarou que esse crime foi um ataque frontal soberania popular e ao legislativo, e que a escala do problema nacional e, segundo ele, no coloca nenhuma interrogao sobre o futuro do pas.

– Acho que a morte da Marielle deve ter uma envergadura que, de fato, possa encontrar uma ressonncia no Congresso Nacional, no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Poder Executivo Federal. E que encontre, sobretudo, entre ns da sociedade, uma reao vigorosa em defesa da democracia.

Os representantes de coletivos da Universidade relembraram a participao de Marielle em discusses no campus. Ela esteve presente na Semana da Mulher, em 2017, e diversos outros encontros. De acordo com os estudantes, a vereadora mantinha dilogo direto com as unidades de representao e se mostrava uma voz de representao fora da Universidade. Para Pedro Martins, aluno de Cincias Sociais, a troca com a sociloga era fundamental.

— A relao com ela era uma via de mo dupla. Ns nos sentamos representados e ela ficava muito feliz com os acontecimentos daqui.

Homenagem Marielle Franco

Mais Recentes
Fantstico universo dos animes
Influenciados pelos mangs, os desenhos animados japoneses conquistam fs no Brasil e no mundo  
Reitor da PUC-Rio visita MPRJ
Padre Josaf se encontra com procurador-geral do Ministrio Pblico do Rio de Janeiro, Eduardo Gussem
Vozes pela educao
Passeata no Centro do Rio rene cariocas de diversas idades contra a reduo de verbas para o ensino pblico