Comunicação na moda
13/04/2018 12:54
Paula Ferro

Consultoras discutem a relação entre marca, moda e consumidores

Luiza Bomeny comenta as tendências no mundo da moda Foto: Thaiane Vieira

Na moda, existem as febres, os “queridinhos da temporada” e os clássicos. Essas modalidades podem ser usadas de maneiras diferentes na comunicação com o público. O desafio é saber como aliar os movimentos da moda com a identidade de cada marca. Esse foi um dos pontos abordados pela professora de fashion styling Lucrezia Mancini, do Instituto Marangoni de Miami, e pela consultora de moda Luiza Bomeny na palestra Tendências de Moda e Comportamento, proferida na quinta-feira, 12.

Segundo Luiza, a moda de luxo passa por mudanças significativas desde o século passado. Tudo começou com as grandes grifes francesas, cujas criações eram inacessíveis para o público geral e atendiam apenas às mulheres da alta sociedade tradicional. Ela relembra que, principalmente na Itália e nos Estados Unidos, surgiu uma nova leva de marcas menos tradicionais que trouxeram modernidade ao mundo da moda. Essas grifes contemporâneas ajudaram a igualar o público, e eram adquiridas de acordo com o poder aquisitivo e não mais com a descendência das famílias tradicionais.

Luiza explica que, atualmente, os destaques são as cadeias de fast-fashion, grandes lojas de vestuário em que todo o processo de produção, desde a concepção até a chegada nas lojas, dura no máximo cinco semanas. Segundo Luiza Bomeny, as mudanças no mercado precisam ser interpretadas também com as transformações no perfil dos consumidores. O principal público das marcas, hoje, são os millennials. Nascidos a partir dos anos 80, os integrantes dessa geração cresceram imersos na cultura da internet e vivem conectados a comunidades virtuais. Para Luiza, os valores do público também são outros.

— Hoje os compradores de luxo são millennials. Antigamente eram os executivos e os integrantes de famílias ricas. Eles têm uma abordagem diferente, não escutam o que as marcas dizem. Dão mais atenção ao que é dito pelos amigos, famílias e as pessoas que seguem nas redes sociais. Os clientes misturam marcas e consomem menos.

Segundo a consultora, o momento do mercado de moda é fértil para os profissionais da comunicação que acabam se formar. Ela destaca que as marcas precisam dos jovens, comandantes no território das redes sociais, para traçar uma relação alinhada aos valores do público. Para Luiza, a geração Y valoriza as marcas que são transparentes com os consumidores.

— A verdade tem cada vez mais valor. Em tempos de fake news, sabemos que o limiar entre verdade e mentira é sútil. Ao mesmo tempo, o público quer a verdade, quer saber se a marca é ética ou não, se tem responsabilidade social, se usa trabalho escravo. Quando o trabalho escravo foi descoberto na Zara, foi um escândalo. As pessoas passaram a evitar a marca. Isso não pode mais acontecer.

A professora e consultora de estilo Lucrezia Mancini Foto: Thaiane Vieira

Lucrezia Mancini, que é consultora de estilo e imagem de celebridades e grifes, lembra que a moda vai além das roupas e também se relaciona com a cultura e com o estilo de vida. Para ela, as tendências surgem conforme as estações mudam, são movimentos cíclicos, e as marcas precisam aprender a prevê-las e adicioná-las ao perfil de acordo com a própria identidade.

— Uma tendência só se concretiza quando um grupo pequeno a adota pela primeira vez. A partir daí as pessoas começam a reconhecê-la e reproduzi-la no cotidiano. O trabalho das grifes deve ser voltado a antecipar esses movimentos e incorporá-los aos lançamentos. Isso precisa respeitar a identidade construída. Não faz sentido fugir do seu perfil para adotar uma tendência passageira.

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