Cada um no seu quadrado
12/06/2020 12:27
Ana Moraes

Casais da PUC-Rio contam como manter a dinâmica do relacionamento no isolamento social

Beatriz Lima e Guilherme Barbosa (Fotos: arquivo pessoal)

As regras de distanciamento social implementadas por conta da crise do novo coronavírus afetaram a rotina de diversos namorados, que se viram obrigados a viver um novo tipo de relacionamento a distância. Os encontros que ocorriam nos pilotis da PUC-Rio agora são realizados pelo Zoom, e o chope de quinta-feira à noite, no Baixo Gávea, passou a ser degustado pelo FaceTime. Em tempos de pandemia, o Dia dos Namorados também vai ter outra dinâmica, com cada um no seu quadrado. 

Assim como muitos casais, Guilherme Barbosa e Beatriz Lima precisaram parar de se ver durante a quarentena. Em janeiro deste ano, os dois se mudaram para um apartamento perto da Universidade, mas, depois de apenas três semanas, foram obrigados a se separar temporariamente.  Após o anúncio da interrupção das aulas presenciais, cada um voltou para a casa da própria família no dia 18 de março.  

- Nós decidimos ir cada um para a sua casa porque no nosso apartamento ainda não havia internet. Pensamos que para assistir às aulas on-line não basta a internet do celular, ficaria muito ruim. Como a PUC-Rio retomou as aulas muito rapidamente, tivemos que decidir logo o que fazer - conta Guilherme.

 A família de Beatriz mora em Campo Grande, e a de Guilherme, em Magé, por isso, o casal já estava acostumado a se ver com pouca frequência nos fins de semana. Nos dois anos e meio de namoro anteriores à mudança, a PUC-Rio foi essencial para eles, que tinham o campus como um ponto de encontro. Os namorados se conheceram na Universidade, quando Beatriz foi caloura de Guilherme no curso de Engenharia. Depois que começaram o relacionamento, os encontros eram no fim do dia, eles usavam a caminhada até o carro ou transporte público para matar a saudade.

- No primeiro semestre de 2018, eu ia de carro para a Universidade e sempre dava uma carona para ele até o Jardim Oceânico, na Barra da Tijuca. Mesmo assim, na caminhada até o estacionamento, já conversávamos sobre tudo. No período seguinte, quando passei a ir de metrô para a PUC, ele caminhava comigo até a estação Antero de Quental, no Leblon, e este era o nosso momento - lembra Beatriz.

 A ideia de separar na quarentena não assustou a estudante no primeiro momento porque, segundo ela, eles estavam acostumados a ficar distantes no dia a dia. Mas, conforme o período de afastamento se estendeu, a percepção dela mudou. Com o objetivo de diminuir a falta da presença física, eles têm feito chamadas de vídeo enquanto cozinham, hábito que fez parte da rotina do casal no período em que moraram juntos. Assim, Guilherme acredita que eles conseguem se comunicar de forma mais clara.

 - Nas três semanas em que moramos juntos, quase não houve desavença. O problema é que, para mim, conversar por mensagens de texto é muito diferente do que ao vivo. A entonação, o jeito da fala, tudo se perde. Pessoalmente, é mais fácil entender o que o outro está sentindo - diz Guilherme.

Paula Ferro e Gabriel Vidigal (Fotos: arquivo pessoal)

 Para Paula Ferro e o namorado Gabriel Vidigal, a forma de se conectar na quarentena é com jogos de ludo e stop, realizados pelo Facetime. O casal chegou a se encontrar durante todo o mês de março, mas Paula teve os sintomas da Covid-19 no início de abril e precisou cumprir o isolamento total dentro do quarto. Desde então, mesmo com a recuperação total da estudante, eles só se viram mais uma vez, ainda em abril, na casa de Paula.

 - O que mais quero no momento é só encontrar com ele mas, fora isso, sinto muita falta de quando saimos juntos. É muito bom estar com ele em lugares diferentes, com novidades e histórias para compartilhar. Estou com saudade de a vida estar acontecendo, para poder dividir com ele - comenta Paula.

 O casal se conheceu ainda na escola e começou a sair em 2015. Em maio, eles comemoraram cinco anos de relação, mas do jeito imposto pela pandemia: pelo universo virtual. Cada um pediu uma comida japonesa para ser entregue em casa e eles celebraram a data por meio de uma conversa de vídeo - ela, na Gávea, ele, no Leblon.  

Na PUC-Rio, os dois alunos não se encontravam com tanta frequência, já que Paula estuda Comunicação Social e Gabriel, Engenharia Elétrica, cursos que ficam em prédios distintos dentro do campus. Mesmo assim, os namorados almoçavam juntos antes de ir para os respectivos estágios. 

- Como ele faz engenharia, as aulas tendem a ocupar as duas horas completas, então era raro que houvesse algum intervalo maior para cruzar o campus, mas a gente sempre tentava almoçar juntos. No fim de semana, íamos muito para a casa um do outro, também gostávamos de sair para comer, para ir ao Baixo Botafogo com os amigos, essa era nossa base - diz Paula. 

João Pedro Saramago e Tomás Sertã(Fotos: arquivo pessoal)

Da mesma maneira, a saudade da convivência é uma realidade para João Pedro Saramago e Tomás Sertã. Para manter a proximidade no cotidiano, eles também fazem chamadas de vídeo diárias, além de assistirem a muitos filmes e seriados "juntos". Antes pandemia, os rapazes conviviam todos os dias na Universidade, onde João Pedro cursa Comunicação Social e Tomás, Letras. Atualmente, João mora com os avós, em Niterói, e Tomás fica na Gávea. 

 - Passamos três semanas separados no final de janeiro, porque o Tomás viajou. Na época, achei horrível e fiquei muito aliviado quando acabou, porque não queria mais ficar tanto tempo sem encontrar com ele. Agora, estamos aqui, com quase três meses e contando os dias. Fora que também estávamos com uma viagem programada para o meio do ano e tivemos que cancelar - conta João.

  Tomás Sertã (no alto) e João Pedro Saramago (Fotos: arquivo pessoal)

 A história dos dois, de certa forma, começou pela internet. Eles se conheceram há dez meses pelo Tinder, mas o relacionamento vingou mesmo depois de uma conversa no campus da Universidade. No dia seguinte, eles marcaram o primeiro encontro e, desde então, lá se vão dez meses. Mas, neste momento, comenta João, eles se preparam para comemorar o Dia dos Namorados em municípios diferentes. 

- Claro que rola uma frustração, e sinto medo de não poder comemorar um ano de relacionamento em agosto. Se não for possível, vamos lidar com este fato da melhor maneira e com a consciência limpa de que estamos fazendo o máximo para que todos fiquem em segurança – observa.

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