Especialistas apostam em caminhos alternativos para os resíduos sólidos
29/08/2017 19:01
Natália Oliveira

Na Semana de Engenharia, especialistas recomendam embalagens biodegradáveis e reciclagem para reduzir os impactos ambientais. Mais de 80% do material que chega aos aterros poderiam ter outro destico, revela estudo internacional. Separação de materiais faz a diferença.

Mais de 80% do material que chega aos aterros poderia ter outra destinação, segundo pesquisa de cientistas da University of Georgia, the University of California, Santa Barbara and Sea Education Association, publicada pela revista Science Advances. Especialistas em gestão de resíduos apostam na reciclagem e na escolha de embalagens biodegradáveis como escolhas no dia a dia. As alternativas foram apresentadas durante a mesa-redonda Gestão de resíduos sólidos, no Auditório do RDC, durante a Semana Integrada de Engenharia (SIEng), na última quinta feira. O debate foi mediado pela professora do Departamento de Química, Daniela Soluri, representante do Sistema Integrado de Gestão (SIG). 

Apesar da Política Nacional de Resíduos Sólidos estar em vigor desde 2010, a situação do destino dos resíduos no Brasil pouco mudou. Cerca de 40% de todo o resíduo gerado no país ainda é depositado em locais considerados inadequados, como lixões e aterros controlados. Segundo Eduardo Haddad, representante da empresa Saniplan, uma forma de reduzir os impactos é escolher produtos com embalagens biodegradáveis:

– Escolher embalagens que não demorem a se degenerar, ou seja, as de menor impacto ambiental, são boas alternativas. Esses produtos ainda são caros, e o motivo é que compra deles ainda é pequena. A partir do momento em que comprarmos mais produtos biodegradáveis, o preço vai cair. 

Representante da Saniplan, Eduardo Haddad. Foto: Matheus Aguiar

Além disso, Haddad alerta para os cuidados que se deve ter ao descartar quaisquer materiais: 

– É importante saber como se desfazer de um resíduo. Alguns pedem mais cuidado, porque podem ser tóxicos e assim contaminar outros materiais. Isso pode atrapalhar na reciclagem, que pode ser outra saída para uma melhor destinação, porque eles perdem algumas propriedades essenciais e não podem ser renovados. Quando se coloca um guardanapo dentro de um copo de mate, por exemplo, ele não pode ser reciclado.

Representante do Nima, Melissa Antunes. Foto: Matheus Aguiar

A representante do Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente (Nima), Melissa Antunes, apresentou dados da PUC-Rio ao longo do debate. São produzidas 4.220 refeições por dia na Universidade, e estima-se em 45 kg o volume de resíduos sólidos por pessoa ao ano. Do total das sobras, 60% dos rejeitos são de matérias orgânicas, que a Universidade consegue destinar a partir do gerenciamento da Prefeitura do Rio. Além disso, o Nima atua para que o sistema de reciclagem seja fácil, uma vez que disponibiliza lixeiras de coleta seletiva pelo campus.

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